Lendo Pedro Lyra

Pedro Lyra: “LAVRAGEM XIX – ATÉ DA LEMBRANÇA” Passou pois tudo passa nesta vida se a vingança das coisas é passar: passa o rio – com ele seus murmúrios; passa o tempo – com ele seus martírios; passa o sonho – com ele seus mistérios. Pois, assim, passa o amor. Mas este ao menos deixa o que o vai levando: o ter vivido, o ter crestado em gozo o próprio amor – tudo que justifica um vir ao mundo mas que até da lembrança há de passar. E pois que passe passe pois que torna mais amplo mais aberto mais sabido o espaço por onde outro há de chegar. (Porém que passe assim: sem chaga ou culpa.) (Do livro “Desafio – Uma poética do amor”) A foto foi colhida aqui:...

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Lendo Cecília Meireles, Sugestão

SUGESTÃO Sede assim — qualquer coisa serena, isenta, fiel. Flor que se cumpre, sem pergunta. Onda que se esforça, por exercício desinteressado. Lua que envolve igualmente os noivos abraçados e os soldados já frios. Também como este ar da noite: sussurrante de silêncios, cheio de nascimentos e pétalas. Igual à pedra detida, sustentando seu demorado destino. E à nuvem, leve e bela, vivendo de nunca chegar a ser. À cigarra, queimando-se em música, ao camelo que mastiga sua longa solidão, ao pássaro que procura o fim do mundo, ao boi que vai com inocência para a morte. Sede assim qualquer coisa serena, isenta, fiel. Não como o resto dos homens. MEIRELES, Cecília. “Mar Absoluto”. In: Antologia Poética. Rio de Janeiro: Nova fronteira,...

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O poder da licença poética por Tânia Du Bois

O poder da LICENÇA POÉTICA por Tânia Du Bois “quem sabe quanto é estranho / riscar em linguagem // um amor que se quer significa: / apenas é, age?…” (Alberto Martins) O ponto de partida é o mesmo, tudo influencia o escritor a se inspirar e, assim, muitas vezes, usa da licença poética como recurso, assim em Benedito Cesar Silva: “Da métrica refeita, / Da rima imperfeita / Um bom papo com os amigos”. Licença poética nada mais é do que “a liberdade que toma o poeta, às vezes, de desprezar as normas da gramática para sacrificar a versificação”. Na literatura é utilizada como “adorno”, dando poder à palavra e significado à expressão, pois, nenhum escritor pode realizar seu potencial, sem ser livre. João Carlos Meireles Filho...

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Poemas Traduzidos C – Adriano Nunes

Hoje lendo o poema “To One Dead” de Maxwell Bodenheim em nosso idioma, traduzido por Adriano. E este é o centésimo poema publicado aqui. Viva! A um morto – tradução de Adriano Nunes A um morto Eu caminhei sobre um monte E o vento, solenemente bêbado com tua presença, Vacilou contra mim. Inclinei-me a indagar uma flor, E flutuaste entre meus dedos e as pétalas, Laçando-os juntos. Eu cortei uma folha da árvore E uma gota de água na verde jarra Alojou uma perseguida parte de teu sorriso. Tudo sobre mim estava imerso em tua lembrança E tremendo enquanto tentavam-me contar isso. To One Dead – Maxwell Bodenheim To One Dead I walked upon a hill And the wind, made solemnly drunk with your presence, Reeled against me. I stooped to...

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Tempaço II, poema de Carmen Silvia Presotto

Escrevendo ao 123º Desafio Poético com Imagens projeto de TaniaContreiras Arteterapeuta TEMPAÇO II não há ausência pra quem sempre esteve presente gotícula do universo na agulha do medo costuro o ar, como se colasse o tempo poesia, saudade! dias infindos volta e giro hera, quimera colar… dou linha ao infinito, remendo-me… Carmen Silvia Presotto – Vidráguas – nov/2014. Imagem: Chema...

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Para além de mim, poema de Carmen Silvia Presotto

Desafio poético… Para além de mim a quem chegar meu ar… verso ao instante intenso ao pretenso encontro um olhar um afago um carinho leitura e ninho verso no escuro a alguém um poema futuro… livro aberto entre flores… e histórias coração sem véu a céu aberto, poesia ao léu… minha humanidade, vivas serão as memórias! Carmen Silvia Presotto – Vidráguas. Nov/2014. Seguindo do desafio poético de TaniaContreiras Arteterapeuta, deixar um poema no banco de uma praça, buscar alguém para somar o sentir, e que venha resposta…...

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Lendo Manoel de Barros: Livro sobre o nada

Hoje, o Céu deve estar bem mais Natural. Paz e luz Manoel de Barros, vamos sentir saudade! 5. Sou um sujeito cheio de recantos. Os desvãos me constam. Tem horas leio avencas. Tem horas, Proust. Ouço aves e beethovens. Gosto de Bola-Sete e Charles Chaplin. O dia vai morrer aberto em mim. 7. Sei que fazer o inconexo aclara as loucuras. Sou formado em desencontros. A sensatez me absurda. Os delírios verbais me terapeutam. Posso dar alegria ao esgoto ( palavra aceita tudo ). ( E sei Baudelaire que passou muitos meses tenso porque não encontrava um título para os seus poemas. Um título que harmonizasse os seus conflitos. Até que apareceu Flores do mal. A beleza e a dor. Essa antítese o acalmou.) As antíteses congraçam. BARROS, Manoel de ( 1916 – 2014...

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Amanhã, minha poesia no Sarau Gente de Palavra -26. Coisa boa!!

Minha poesia no Sarau Gente de Palavra -26. Coisa boa!! Sarau Gente de Palavras -12/11, amanhã, às 19h Ponto de Cultura La Integracion, na rua Santana, 260 VERSARES Há momentos em que o coração canta se aninha ama escuta do verso denota realinha o impulso do peito brinca e rima acarinha algodão ao vento feito sonho corpo a fora, chama… Há momentos em que o coração flana ao Amor escuta, e em algum poema, plana. Carmen Silvia Presotto – Vidráguas. In: Revista Gente de Palavra- 14. Org. Michelle Hernandes e Renato De Mattos Motta. p. 11. Michelle, Renato, gracias por este momento. Feliz demais por ser Gente de...

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Poemas Traduzidos XCIX – Adriano Nunes

Lendo Antonio Machado, poeta que amo, em mais uma bela tradução de Adriano Nunes. E vamos ler poesia, vamos ler os Mestres! Acaso – Tradução de Adriano Nunes Acaso E alerta não mais à minha quimera não reparava em meu redor, um dia surpreendeu-me a fértil primavera que em toda a vasta várzea só sorria. Brotavam verdes folhas das tumefactas gemas da ramagem e flores amarelas, brancas, roxas, alegravam a mancha da paisagem. E era uma chuva de setas de ouro, o sol por sobre as frondes juvenis; do amplo rio no caudal sonoro observavam-se os álamos gentis. Atrás de tanta trilha é a primeira vez que vejo brotar a primavera, disse, e depois, declamativamente: ? Quão tarde já para a minha alegria!? E, logo, ao caminhar, como quem sente as asas de...

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Sudário, poema de Carmen Silvia Presotto

Um poema ao entardecer… SUDÁRIO A vida é lance encaixe alcance A vida é rumo trama sumo A vida por certeza, e sorte é o atalho da morte… … meta concreta. Carmen Silvia Presotto – Vidráguas! nov/2014. A arte é de Vladimir Kush!

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