Um poema ao hoje, 3 de fevereiro por Carmen Presotto

Psiu!



E finda janeiro
já estamos em
dois dias de fevereiro

colho o cheiro da chuva
sinto tua harmonia
e mesclo na lavanda
toda a intensa banda

é samba
é lança
é marcha
perfumes
flores e sentimentos

E finda janeiro
já estamos em
dois de fevereiro

nua avenida
és toda a alegoria
de minhas evolução, fantasias

cadência imaginada
piso em tuas poças
salto do tanque à Grécia
destoo em peripécias
e saibas, nesta folia
estou feliz a beça…

no ar lavanda
doce comanda
a deitar nossa noite de verão

e terminou janeiro
já é três de fevereiro
ainda dia de Rainha Mar no ar…

Carmen Silvia Presotto – Vidráguas

A arte é de Botticelli!

Um beijo, e voltamos domingo, bom final de semana a todos e seguimos…

Louco entardecer ao poemar com Eros…

Louco entardecer
poema de Carmen Lúcia Lima Sarmento


Fotografia de Mirchuk Pavel

em cascalhos piso
entre varais me escondo
vozes ao longe escuto
procuro a sombra

… … nela sou vulto
transpiro flores
colho pétalas

num tapete de cores
de suave maciez
tento ser vento
tento ser pássaro
desperto com a luz
sou apenas uma mulher.

Hoje nosso entardecer com Bardos e EvasAlmas, se dá mais cedo e traz um poema Carmen Lúcia Lima Sarmento, que escreve conosco no grupo Vidráguas em redes sociais, e seguimos o Projeto Anáguas, um tempo de poemar com Eros.

…iMundem-se, alaguem-se com Poemas de Amor, aqui e em, Outubro – blog de Nei Duclós – lago em quem nos espelhamos para seguir o canto, porque parafraseando este bardo, amamos sem tirar nem por… e seguimos!

As mesmas mãos poema e mais escritos de Lisa Alves…

As Mesmas Mãos
poema de Lisa Alves



Da mão do tempo colhi experiências:
flores autênticas com espinhos artificiais.
A proteção desfigura-se – nada guarda a chuva.

Pingo tempestades,
choro dilúvios.
E o mar da tranqüilidade
pertence ao vizinho.

Disseram para livrar-me
desses pensamentos.
Mas as idéias enterradas
nos pés da massa, multiplicaram-me.

Estou neles, estou eles e agora somos
os mesmo pés e as mesmas mãos.
Na dança da multidão,
ganho horários e cartões de compras.

Andar reto nesse coletivo insano.
Os meses são demais, mas são poucos os anos.
Um mapa traçado na face – ainda não é sinal do fim.

Gero despesas, abomino a TV
e quando vou às compras volto com a sacola cheia de Nada.
A falta de sentido me causa dor – é melhor pensar que sou um esqueleto.

Assistir um filme, ler um livro
e depois dormir.
Ainda bem que a tenho aqui perto – só assim para acreditar em existência imediata.

Lá fora sei que chove ou faz sol – é bem simples mesmo.
Lá fora sei que quem vai sempre volta – quase sempre.

Aqui dentro prefiro me preocupar com o sistema digestivo das minhas gatas.
Aqui dentro falamos sobre o futuro, quem vai cozinhar e o horário do remédio.

Não há garantias que nasci em 1981.
Não há garantias que nasci.
Não há garantias.
Não há.

Comunico-me com pessoas que nunca vi.
Isso não é desenvolvimento espiritual.
Isso é desenvolvimento tecnológico – Kardec era um visionário.

Eu amo a poesia de Drummond
mas odeio sua voz – eu também odeio minha voz.
Eu amo a prosa de Clarice Lispector
mas odeio sua voz – eu também odeio minha voz.

Quando a tempestade vai embora, eu sopro as nuvens.
Agosto e setembro passado
trouxeram grandes inundações.

Mas depois me reformei, sou igual a multidão – resiliente.

O tempo sempre me doa mãos
e eu as leio com minha visão turva e limitada.
O futuro é alquebrado, leva consigo lápides,
histórias e resistentes construções .
O comum fica, fica também o rancor, o coração partido
e a multidão.

Lisa Alves é uma poeta e escritora que leio sempre, desde de nosso encontro em Brasília, sigo desvendando seus livros, versos, novelas e contos… aqui em Vidráguas temos o prazer de ter seus poemas e também de divulgarmos A Prisioneira do Bosque e agora trazemos “Adeus Companheiro”, saibam mais aqui

Psiu Lisa, beijos e seguimos!!!

Embriaguez-69 no entardecer com Eros em Anáguas..

Embriaguez-69.
poema de Rodrigo Rios de Lucas



Lábios
explodiam
rolavas
com
prazer
f
i
q
u
e
i
à deriva
abri os olhos
como vinho
colorir
tremeluzir ao
v
e
r
m
e
l
h
o
intoxicante
meu membro
se retesando
flutuando
suspirou
de
emoção
engolindo
pela minha
garganta
com força
me tirou
do sonho
eletricamente
a luz da janela
seguia meu prazer
subiu nas palavras
e estrangulou a ferida
a glória macia da luz
entre nós vida de uma
paixão que levará à realidade
com essas realizações
c
o
m
você
e
sairá em busca
daquelas coisas
preciosas que desejas
ao chão fiquei com seu salto
em
m
i
n
h
a
s
mãos.

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“Nada acontece duas vezes”, poema de Carmen Presotto à Wislawa Szymborska

Nic dwa razy*
à Wislawa Szymborska



Tua asa em meu jardim
chega como se fosse uma pluma do Éden
paro, observo…

ela vem úmida
ela vem com sal
corro à piscina
vejo o banho do pássaro
olho à gaiola
ele está lá

enfim,
tudo em seus contornos
olho ao céu
a tempo de perceber um arco-íris em luz…

Poema de Carmen Silvia Presotto

*Nada acontece duas vezes

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