Classificar livros???

O caso “Hamlet”
Em primeiro lugar, acredito que livros não têm classificação. Eles se classificam por si só: os leitores têm a liberdade de classificá-los.
Hamlet, na minha opinião, cabe em qualquer estante. Em 1601, William Shakeaspeare escreveu sobre este Príncipe.
Sintam. Em plena Era Elizabethana, ele retrata mais do que uma época, retrata o quê, atualmente, não podemos recusar.
E uma vez que Hamlet – para mim – torna-se uma tradição, não se pode negar a ele à coroa de príncipe entre os intelectuais. Ironicamente, Shakeaspeare nos faz crer que ele é o intelectual dos intelectuais, representando a nobreza e o desastre da consciência ocidental.
Como Hamlet, reconstruímos um passado, já que os eruditos, os artesãos, os arqueólogos de hoje, sob seus efeitos, trabalham tantos outros feitos – eventos, obras – onde mergulhamos para seguir gozando da experiência deste príncipe que, de tão representativo, transforma a inteligência de quem com ele e sobre ele escreve e lê.
Não somente a inteligência ocidental ou oriental, masculina ou feminina, negra ou branca, mas a inteligência humana, que não cabe em si mesma. Já por isso, seu autor poderia ser considerado o primeiro escritor verdadeiramente multicultural.
Quem mais que Hamlet queria vingança? Quem mais que Hamlet aborda tão bem o mítico? Quem mais que Hamlet faz tantos ganchos de enredos? Quem mais popular que Hamlet por tantos milênios? E, principalmente, quem mais que Shakespeare viajou, trabalhou, suou tanto para ser menor que sua Obra?
Claro que, por trás dele, seu gênio nos oferece uma personagem sutil, volátil, dotado de suprema inteligência, emparedando-nos por séculos a um OLD BROTHER, que independente de teclas ou dígitos, seguia em caravana para difundir sua dramaturgia.
Ao lermos a peça teatral, pois, tornamo-nos Hamlet. Uma identificação que nos deixa atônitos, porque com ele sublinhamos que no mundo tudo tem um valor.“Seja tudo como for”, nos diz ele ao morrer e desde aí, sua literatura não morre.
De seus versos quantos revivem, quantos se representam, massivamente, quantos enriquecem, justamente, por saber que “o mais tudo é silêncio” ?
No mais, tudo pode ser retórica também deformada pelo uso de tantos sofistas. Leia este clássico e tire sua própria opinão. Afinal de contas, você é quem tem o poder da classificação, não é mesmo?.
Caso o pano caia, será impossível negar o consumismo deste Bardo, onde “ser ou não ser” será tudo-nada em um eterno claro-escuro.







