Há quanto tempo você não escreve ou recebe uma carta?
Incrível, nos dias de hoje se estar falando de selo, envelope, caminhadas ao correio.
Mas, por aqui ganhamos tempo e seguimos o que Clarice Lispector e Fernando Sabino sempre fizeram… Claro, que faltara o bucólico, no entanto sempre poderemos estar em correspondências.
Hei, não esqueçam! Hoje Chico Buarque estará chegando ao nosso alegre porto, quem sabe não lotemos as caixas do Sheraton Hotel com palavras?
Senão, lembrem-se de que sempre há Pedros Pedreiros e muitas mulheres de Atenas espiando o encontro marcado.
Aqui, segue uma a Maria Bethania,agora é com vocês: escrevam!
Querida Poeta!
Vidráguas… Oxalá, como nos diz o “poetinha”!
“Dentro do Mar tem Rio…” Um dia em Porto Alegre não ouve retorno, o microfone emudeceu, talvez fosse a concha do ouvido do Guaíba que ressoasse junto a tantas “vozes” que, querendo ser cantadas, congestionaram as linhas de ondas…
Bem, querida Poeta, ao escutar o que disseste, envidragaram meus olhos: “os poetas têm que estar nas Escolas, têm que estar nas leituras dos jovens, têm que estar conVERSANDOcom LIBERDADE como nos sopraste com Sophia de Mello Breyner Andresen: O poema é A liberdade/ Um poema não se programa/ Porém a disciplina – Sílaba por sílaba – O acompanha / Sílaba por sílaba/ O poema emerge – Como se os deuses o dessem/ O fazemos.
E por acreditar nas palavras, por acreditar no cantar que conversa publicamos EnCaixes – um livro de poesia, editado por Vidráguas, junto a emoções que me fazem seguir enviando o que vivo, o que projeto, o que desejo a outros olhares sensíveis para que uma nascente sempre siga em busca de sua foz: ave poesia!
Por isso, a chuva bate na janela
trazendo o cheiro da rua molhada.
Junto à soleira, um canto, uma morada, mãos em ninho onde pássaros vêm matar a sede.
Muitos voltam, batem suas asas pelo calor de vidros… Outros, nunca dão respostas, nem lêem, preferem as pombas metálicas ou o tilintar das moedas, ou são palavras furadas, ocas…
Por tudo que escuto e vibro junto a ti, penso que no dizer de alguns momentos, teu poeta junta acordes com água, perfurando a retina, pirata de palavras, deixando que a alma derreta o ouro perdido no ouvido e porque cantas, embacias as tristezas, salpicando pesadelos, cata palavras como quem cata a vida suada, a vida de amanhãs que escorre por cada ladrilho sem sol.
Carmen Silvia Presotto