Porto Alegre

Um feliz aniversário não seria completo sem “O MAPA” de uma cartografia que guiou e segue guiando muitas mãos a catarem seus ventos com versos e sangue pelas ruas de nossa cidade.
UM RECANTO DA CIDADE
a Mario Quintana
- A Rua dos Cataventos –
Uma nave recorta a rua da Praia.
Magestic Casa Rosa no coração da Cidade.
Um quadro, tempo ladrilhado de mãos.
Primeiro um hotel acolhedor, cheio de viagens e trajetos. Depois, o ninho do Poeta, em cujos Postigos se debatem suas asas, suas palavras, o tic-tac da máquina de escrever com o ranger do lápis e papel.
Cataventos uma rua que é adorno. Colcha e retalhos, tecido com pedras de puro linho, botões de ares, pura esquina de muito andares…
Cataventos, palavras aladas que mergulham olhos nos cimentos.
Do tempo, um alívio d’alma, uma gota de café. No meio de uma respiração, pontos embebidos de noites. Chope acolhendo versos. Um vento desenhando imagens.
Lá toda a vida pode morar! Cidadezinha… Tão pequeninha que toda cabe em um só olhar. Em cada fresta. Em cada borrão. Em cada risco um poema imaginado para a página branca de susto.
Lá, as almas esfumaçam. Transparentes nos colocam no caminho dos “ Baús de Espanto” e por onde mãos andaram, colhemos Proust, Woolf, Elliot, Poe. Traduções seculares de um velho grafiteiro que há muitos anos desejou um reencontro com o fantasma da Ópera.
Rua dos Cataventos, a poesia é um sintoma do sobrenatural… e de ti surgiu um globo onde o mapa nos comprova que sonhar é acordar-se para dentro até o …dia exato alinhar os seus cubos de vidros… tuass nuanças de paredes são poros, histórias, onde cada pergunta faz os dedos ganharem vida. Olho as minhas mãos…os dedos são pétalas carnívoras. Poemas que o vento mistura e dispersa no ar….
Cataventos, uma passagem entre pórticos – Uma Rua Fantasma – casa que elimina sótãos e porões, abrindo suas janelas para que o sonho do poeta encontre abrigo e voe “ ao fundo do barco, sob o silêncio do Céu… Grita o Poeta!… Amigos… Vou sepultar-me… Assim, vive para sempre. Uma Rua nos espalha aos ventos: Ave, Vidráguas, Quintana!
Foto: Pedro Chagastelles
fevereiro 17th, 2011 at 21:28
Belíssimas linhas para serem desvendadas aos poucos, com a alma leve e serena… degustado como um bom vinho. Gostei,volto e recomendo. Desejos de sucesso e magníficas inspirações!
fevereiro 17th, 2011 at 22:41
Um grande abraço Josette, bom ter tua leitura, teu comentário em Vidráguas. E quando vieres a Porto Alegre teremo um bom vinho para brindar este encontro.
Gracias e volta sempre.
Carmen.