Vidráguas

Porque chove…
Tudo é água
que empoça e embacia
Tudo é lágrima
que sublima, condensa e lava
Porque choro…
Chovo mais que o céu
Transbordo-me
Parto palavras como se ossos se liquifizessem
Porque chove…
Versejo em gotas de ilusão
Espanto as horas mormacentas
Granito janelas na rua
Porque chove…
Salpico meus pesadelos
Nessas vidráguas, encontro a poeta
Brindamos vidros com água…
Uma de nós ganha liberdade.
Poemar, prosar, cantar, vidraguar é brincar com as vozes, fazer uma aeróbica verbal, ler em situações insólitas o momento entre vogais. Dar cor à fonética para que a leitura não seja branca, vazia.
Vidraguar é lamber o invisível para ancorar as imagens com a escrita. Dar voz ao sentimento para aprender a reler o que o olho de vidro não capturou com a boca.
Vidraguar é uma dança de anáguas que joga o poema a muitas mãos que rompem o silêncio… versos que conversam vestindo vidros d’agua, feito peles envoltas de palavras…
E Vidráguas é sal e voz na gola do mar… Uma palavra justaposta, um projeto, na correnteza e no sussurro dos dias porque dentro do mar tem rio…
Um abraço carinhoso,
Carmen Silvia Presotto
Dezembro de 2006
Foto: Ricardo Hegenbart
maio 8th, 2007 at 21:36
Gostei do site e principalmente :vidráguas é uma dança de anáguas. Isso é muito pitoresco.Mara
maio 9th, 2007 at 21:15
Um Beijo, Mara Destri… Colega de letras, palavras e poesia.