Archive for abril, 2007

Los Pájaros Tambien Mueren

Los Pájaros Tambien Mueren

Cidade de Elizabete

São seis horas da manhã e me depararo com a sensação de estar dentro de um filme: TUDO ACONTECE EM ELIZABETHTOWN .
Se preferirem aportuguesar – Cidade de Elizabete- um filme de Cameron Crowe com Orland Bloom e Kirsten Dunst, dirigido por Jerry Maguire, conta a história de um designer que em um dia se transforma completamente.

Sucesso, fiasco ou fracasso? Cinzas ou terrra? Nascimento e morte?

Indagações que por minutos, levam a grande reflexões. Guiados por elas, revivemos tipos efeitos de uma comédia romântica, onde cada cena nos torna verdadeiros caçadores de significados para as palavras viver, amar e morrer.
Caminhando até ELIZABETHTOWN para visitar sua família Drew conhece Claire. Juntos eles nos levam a confluir humor, sensibilidade, música e uma história inesquecível. E acreditar er escolhas segue sendo uma riqueza.

E nesta estrada onde tudo pode acontecer. Alguns retornam à rota 64, entorpecidos pela música, não tem como não recordar ON THE ROAD, Jack Kerouac, William S. Burroughs e tudo que a geração bet exemplificou para o mundo. A trilha sonora nos leva a isso e também nos leva a criar sem medo.
No filme, Susan Saradon não nos deixa mentir.

E com este comentário. Vidráguas batiza outra de suas categorias: QI- quem indica. Uma secção para comentários, palavras sobre cinema, livros e até concursos legais, que divulguem poesia, palavras e escritos de novos escritores.
Sem classificações, desejamos ressignificar momentos, renovar bibliotecas e memórias para que o Amor seja sempre uma Viagem, um lugar feito Elizabethtown, onde os eternos pássaros voam.

Vidráguas deseja confirmar que QI pode contrapor o velho chavão “ o que se herda não se rouba”, indicando, sem classificações que QR é quem rala, quem trabalha, quem acorda com as idéias…
Junto com Borges dizemos que somos ficções. Não há o ponto zero, porque somos histórias dentro de outras histórias.
Portanto, cada relato, cada ambiente desenha um contexto.
Acreditamos que, entre palavras, pode surgir um oásis, um estilo, uma marca, sem Imbróglio – apenas pelo prazer das palavras como nos indica o Professor Carlos Moreno, todos os sábados em sua coluna ZH e também em seu site: www.sualingua.com.br.

O filme indicado está a venda em DVD …. ou ainda pode ser encontrado para locações na …
Os autores citados. Jack Kerouac e William Burroughs encontram-se editados em formato pocket pela L&PM a 6 reais (…)

Alta Fidelidade

Lixo

Alta Fidelidade, além de um bom filme, é uma expressão que me faz, justamente, inverter o que eu poria no lixo.
Alta fidelidade eu guardaria, tiraria do lixo.

Como nos mostra o filme, reciclaria todos os elepês, as fitas cassetes, inclusive , o compacto simples de George Harrison, cantando My Sweet Lord, isso, ao mesmo tempo, que afinasse minha sintonia, hoje, estaria me lavando a alma.

Além da própria memória, minha cabeça, talvez rebuscasse no lixo a palavra “carpin”. Estou cansada de meias palavras, aspas, colchetes, parênteses e de tanto descaso com certas respirações, verdadeiras lixeiras.

Verdades inteiras não existem, mas algumas metades colocaria no lixo e junto com elas chegamos a Poematerapia, outra categoria de Vidráguas.

Pois, acreditamos que quando se escuta a alma, problemas serão poeiras cósmicas, palavras e expressões jogadas ao vento que podem ser lavadas, condensadas e sublimadas feito água no papel do tempo.

Ao chover, estarão domesticadas, recicladas…

Bem , assim é vidráguas.

E você? O que você jogaria no lixo, ou tiraria?

As Cidades de Erico Verissimo

Paula Mastroberti, mais uma vez, nos faz acreditar que entre Sombras Imaginadas, está uma Cidade, um lugar híbrido de luzes.
Provalvemente, um sonho povoado desde Edegar Alan Poe a Erico Verissimo. Agora, desvelados pela Arte de Paula Mastroberti.
Uma esculpidora de olhares.

Um abraço Paula, parabéns e sucesso!

Exposição As cidades imaginadas de Érico Veríssimo

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A FELICIDADE DAS PESSOAS

Vidráguas agradece ao Professor Walter Galvani. Compartilhar seu dia de domingo entre palavras é uma ótima maneira de passar felicidade a mais pessoas.

Leon Rodrigues

Texto: Walter Galvani
Foto: Leon Rodrigues

A FELICIDADE DAS PESSOAS

Este é apenas um lance do dia-a-dia, o retrato de um momento que parece imobilizar o tempo e o espaço para identificar a felicidade. As pessoas são “felizes”? É possível adivinhar pelo seu semblante, pelos gestos, pelas atitudes se estão sendo, de fato, felizes?

Há um esforço. Nota-se pela urbanidade dos contatos, estamos aqui à beira do lago imenso, o antigamente chamado “rio” Guaíba. O palco é o restaurante “Caisinho”, grafado assim mesmo, fica do lado oeste, margem direita do rio/lago. Todos procuram, ao escolher a mesa para sua refeição, se “ajeitar” para não prejudicar a vista e a acomodação nos espaços disponíveis, buscando, inclusive facilitar o movimento dos dois garçons e do proprietário que procuram atender às mesas.

Nisso chega um ultraleve hidroavião, isso mesmo, um biplano, com as naceles a flor da fuselagem, de onde saltam dois rapazes carregando nas mãos suas sandálias havaianas. Algo assim bem descontraído. Imediatamente a imagem inusitada se alimentou do que eu vira no dia anterior: havia navegado até à pequena praia que se formou ao lado do “Caisinho” uma lanchinha, não mais do que um caíque motorizado, com um telhadinho para proteger o navegador do sol que continua inclemente neste outono/estio de 2007 aqui no Paralelo 30.

O nauta desembarcara e enquanto se encaminhava ao restaurante, ouvi do proprietário:

“Aposte! Ele vai pedir um Omelete de Ervilhas!”

Daqui a pouco, o “seu” Carlinhos passou por mim, vitoriosamente e escreveu o pedido: “Omelete!”

Dia seguinte, um domingo e eu no mesmo posto, estou lá consumindo um filé de “anjo” e tomando um vinhozinho e chegam os tais aeronautas e desembarcam do seu ultraleve, mas uma inesperada novidade ali junto ao cais.

Procurei o Carlinhos com os olhos, ele compreendeu meu chamado e aproximou-se da minha mesa: resmungando entre dentes, disse-lhe que “se esses dois pedirem omelete de ervilhas, pago a minha conta e me vou embora!”

O aviãozinho chamava-se Aero-Paturi, PP-CFB.

Quando faltavam dez minutos para a uma da tarde de um domingo pacífico e interiorano, ali, às margens do grande lago, os estranhos visitantes se ergueram, carregaram suas sandálias pelo trecho de areia e embarcaram em seu simpático aparelho. Em três minutos percorreram o necessário para alçar vôo, e como se pilotassem uma libélula, voltaram a sobrevoar tranqüilamente o bar escarrapachado às margens do lago e se dirigiram para Porto Alegre.

A meu lado, uma senhora com o corpo jovem e a cara incrivelmente murcha pela idade, olhou-os, feliz.

Um filho (ou genro) fotografou a pequena aeronave levantando vôo e esboçou, por seu turno, também um leve sorriso.

Amanhã, quem virá? – perguntei ao “seu” Carlinhos.

Fotografastes a lancha de ontem e o aviãozinho de hoje? – perguntei-lhe. Por que será preciso fazer uma exposição com o título: “Todos os meios de transporte trazem ao Caisinho”…

Como me manda dizer a Carmen Presotto, minha aluna de criação literaria na Unisinos, Mario Quintana assinalava que “os versos são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam nos livros que lês”. Ou no que escreves, acrescentaria eu, lembrando da poesia que pousou sobre a margem tranqüila, do outro lado do rio, domingo na hora do meu almoço em Guaíba.