Archive for maio, 2007

Uma carta a Ferreira Gullar

Querido Poeta!

Era domingo quando a crônica chegou e tuas palavras me deram um tapa no tempo… Sim! Quanto tempo nos permite receber e viver da indenização máxima? Quanto tempo teremos para viver de favores? Quanto tempo teremos para arrumar uma solução para quando chegar a hora? Quanto tempo as musas nos protegerão?

E nesse jogo de tempo vamos catando palavras como se catássemos brumas, como se catássemos sereno e como se catássemos rosas vamos sendo os espinhos, a dor ambulante, a descrença andante de toda uma contemporaneidade…

Quanto tempo poeta?

E Maiakóvski e Woolf e Plath e Artaud e Lispector e tantas outras mãos poetas? Vão seguir nos seguindo, feito fantasmas que esperam respostas de grandes editoras, escutando que Poesia não vende, que poucos querem nos publicar?

Bem, por não agüentar mais tantas VOZES “ que não vêm de mim”, submundos que talvez venham do “espelho do guarda-roupa”, estrelas que me beliscam em mil e uma noites, resolvi não congelar mais meu tempo.

É difícil!

Tu bens sabes meu querido poeta, mas temos que fazer algo… além de escrever… temos que seguir acreditando, divulgando, versandoCOM… conVersando colocaremos nossos gritos na rua, no ônibus, e talvez, em escolas que é onde os Poetas deveriam estar, lidos, tocando mais vidas e subvertendo o pensamento que “formata”.

Bem, descruzar os braços é o primeiro caminho para mãos que desejam seguir conversando, depois elas se entregam à página branca, encontram a tinta e com sangue escrevem o que pode atingir outros tempos, por isso EncaiXes, um livro “ de uma produção própria – VIDRÁGUAS, em parceria com Razão Bureau Editorial, e aí chegamos a um ponto em comum: “era domingo quando o telefone tocou”, encontrando-me num sábado pela manhã a grandes versos, a uma grande Escritura, a uma Poesia Viva que sorri com a VIDA DE POETA, porque já chorou bastante e este, mais do que ninguém, sabe que morrer é seu ofício, e portanto escreve e Vive no desejo de ser lido e seguir vivo, entre palavras, carregado pelo povo.

Um abraço carinhoso,

Carmen Silvia Presotto

Potentes Botões

Conversando enter versos, as palavras se encontram. Potentes serão os botões, quando cruzarem com O HOMEM DO BOTÃO.
Vidráguas a Quintana que ensina que os versos não são nunca brancos, uns sempre sustentarão aos outros… eis, uma verdadeira reciclagem!

tevê, vídeo, mísseis, som

TUDO

botões móveis de um tempo fixo

TUDO

passeios aéreos de um olhar solto

TUDO

imagens inéditas de um real inerte

TUDO

contorno sutil de um rolo torpe

Todos botões desligados à emoção
aquecem o MUNDO
Todos botões ligados à intenção
conduzem ao NADA

TUDO
possível fio de um espaço vago.

Carmen Silvia Presotto
ENCAIXES

O Homem Do Botão

Quando esta velha nave espacial do mundo for um
dia a pique

Não haverá iceberg nenhum que o explique… Apenas
Um de nós, em desespero
- como quem se livra de terrível dor de cabeça
com uma bala rápida no ouvido -
Vai apertar o primeiro botão:
Clic!

Tão simples… E os mais espertos venderão,
A preços populares, arquibancadas na Lua
Ou caríssimos camarotes de luxo
Para que possam assistir à nossa ÚLTIMA FUNÇÃO

O perigo
É que a arquibancada desabe
Ou que a própria Lua venha a cair no caldeirão fervente.

Enquanto isso, Deus que afinal é clemente,
Põe-se a cogitar na criação, em outro mundo,
De uma nova humanidade
– sem livre-arbítrio -
Principalmente sem livre-arbítrio…

Mas com esse puro instinto animal
Que o homem do botão atribui apenas às espécies
inferiores.

Mario Quintana
Rua Dos Cataventos & Outros Poemas – L&PM POCKET

O sonho não terminou…

O sonho não terminou…

Nós, há 40 anos, junto com o Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band invadimos as ondas sonoras e feito garotos que amavam os Beatles e Rolling Stones, desfizemos as ingênuas baladas para mostrar ao mundo que caminhando sem lenço e sem documento, éramos felizes, utopicamente felizes…

Depois, vieram os passaportes pesados, cor chumbo rajados de ditos duros, onde Vietnam, Hiroxima eram mais do que telas e, novamente, juntos assistimos Hair, O Franco Atirador,entre tantos outros e juntos choramos por amigos que iam e vinham, além de tantos que sumiram, deixando-nos sem nada no bolso ou na mão.

Bem, para os rebeldes que queriam mudar o mundo, mudamos… Hoje, Lennon segue em Imagine dando uma chance a Paz, George deve estar nos soprando bons ventos, Ringo e Paul seguem e com Mick Jagger as pedras seguem rolando e A Tropicália, por sorte, nunca findará… Então, será que deixaremos de acreditar que ainda há mais: além de nossos corações solitários, além dos tamancos e margaridas na cabeça e de todo rastro de pachuli?
Seguem soltas nossas palavras, fotos e relatos.

Há jovens que escutam, há filhos que acreditam.

Por isso, Vidráguas brinda o melhor LP de todos os tempos com um pedido a la Beatles, dêem um tempo para escutar nossos ecos e seguir tocando o barco da existência. Que os quatro cabeludos de Liverpool nos ajudem a outros apocalipses!
Give Chance a Peace, para que o sonho não termine!!!

Exposição Reciclar é Viver

Conscientizar é viver além das lembranças.

Exposição Reciclar é Viver