Sigam a carta de Tânia, um trabalho que traz receitas, fragmentos tipo vacina, indicando-nos quão importante é o ritmo, a poética, o conviver no compasso das pessoas.
Tita é um apelido de infância, com o qual muitos amigos nomeiam à Carmen Silvia Presotto, portanto…
Querida Tita,
Aqui vão fragmentos do trabalho que estou fazendo sobre ”poesia e música”…
POR FALAR EM POESIA…
Quanto mais independente for a poesia, mais estimulados são os sentidos, trazendo harmonia na valorização do prazer de viver.
Jorge Luis Borges, no livro ESSE OFÍCIO DO VERSO, tem transcritas seis palestras proferidas por ele em 1967-68, na Universidade de Harvard. Entre elas, destaco a primeira, O ENIGMA DA POESIA, e a quinta, PENSAMENTO e POESIA.
Em “O ENIGMA DA POESIA, Borges, o desvenda dizendo que “A poesia e a linguagem são uma “expressão”. Se pensarmos na expressão de algo, tornamos a cair no velho problema de forma e conteúdo; se pensarmos sobre expressão de nada em particular, isso de fato não nos rende nada. Assim, “a poesia não é alheia, a poesia, está logo ali, a espreita. Pode saltar sobre nós a qualquer instante. E a vida tenho certeza é feita de poesia”. Mais, (que) “… os livros são somente ocasiões para a poesia. O que é um livro em si mesmo? É um conjunto de símbolos mortos. E então aparece o leitor certo, e as palavras saltam para a vida.”
Já em no “PENSAMENTO e POESIA”, o Mestre, acrescenta que “O pensamento para a poesia são as palavras, e essas palavras são o próprio dialeto da vida.”, citando STEVENSON, para quem “…as palavras são destinadas ao comércio habitual do dia-a-dia, e o poeta, de algum modo, as converte em algo mágico.
Portanto, ao falarmos de poesia, podemos dizer que ela não faz o que STEVENSON pensava – a poesia não tenta pegar um conjunto de moedas lógicas e transformá-las em mágica. Mas, trata de levar a linguagem de volta as fontes. Assim, temos o fato de que as palavras começaram, em certo sentido, como mágica.
Tenho plena convicção de que sentimos a beleza de um poema antes mesmo de começarmos a pensar num sentido. Sentimos os versos antes de adotarmos esta, aquela, ou ambas as hipóteses.
Há versos, é claro, que são belos e sem sentido. “Porém ainda assim tem um sentido – não para a razão, mas para a imaginação.”
A poesia é uma nova experiência a cada leitura. Cada vez que leio um poema, a experiência acontece e, isso, é poesia. A arte acontece cada vez que lemos um poema.
Para mim, quando se fala em poesia, todo dia é dia, e toda hora é hora.
Dividir com você é prazeroso, rico e gostoso.
Jorge Luis Borges torna melhor as nossas vidas.
Beijos
Tânia Du Bois
Dividir, compartilhar, compor a ação sempre exige, no mínimo, uma cadeia de letras, de notas, de amigos para qualquer sujeito, depois…bem, depois saberemos e de quem é o tempo?
… e por isso, um intenso abraço Tânia. Obrigada por dividir com Vidráguas este trabalho , Jorge Luis Borges, e que a Poesia se multiplique por sempres!!!
Carmen Silvia Presotto