Archive for novembro, 2007

Um poema a D.Santa, minha mãe…

florespoéticas
( foto de Ricardo Hegenbart)

Ser Poeta
ser louco

Homem entre destinos

Caminho
de muitos caminhos

Enquanto morte,
Ser de todos,
encaixo-me…

Carmen Silvia Presotto – Encaixes – pg.143

E

Conversandoe conosco, hoje que seria teu aniversário, os versos seguem, entre mãos amigas, escritos, cantos e danças… Fados a outros amanheceres!

SERES
(Sidney Miller)

38
Muitos anos depois
soube da razão
da morte. O descompasso
entre o poeta
o músico
e o homem

ser irretratável
abandonou a lida
a lira
o corpo
sem deixar recado

sua obra fala da irrealidade
e das perguntas em respostas
desnecessárias.

(Pedro Du Bois, inédito)

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Um evento, uma carta, um poema e obrigado a Carlos Nejar…

Luiz Vaz de Camões

Não sou um tempo
ou uma cidade extinta.
Civilizei a língua
e foi resposta em cada verso.
E à fome, condenaram-me
os perversos e alguns
dos poderosos. Amei
a pátria injustamente
cega como eu, num
dos olhos. E não pôde
ver-me enquanto vivo.
Regressarei a ela
com os ossos de meu sonho
precavido? E o idioma
não passa de um poema
salvo da espuma
e igual a mim, bebido
pelo sol de um país
que me desterra. E agora
me ergue no Convento
dos Jerônimos o túmulo,
quando não morri.
Não morrerei, não
quero mais morrer.
Nem sou cativo ou mendigo
de uma pátria. Mas da língua
que me conhece e espera.
E a razão que não me dais,
eu crio. Jamais pensei
ser pai de tantos filhos.

Carlos Nejar em Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século – Seleção ITALO MORICONI- editora Objetiva.

E

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…e por falar em músicas:murgas!!!

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Gelson Oliveira, Giba Giba, Ziláh Machado, Rosa Franco, Juliano Barreto, Paulo Dionísio, Marietti Fialho e Trampo foram as vozes e as mãos, dentre os 20 artistas que reuniram-se na noite de segunda-feira, no Theatro São Pedro, em Porto Alegre, para mostrar a força da Cultura que se intitula Trilhas do Prata – A arte Negra do Sul.

Mesclando-se ao ritmo do reggae, jazz, samba, rock e funk, com direção geral e cenografia de Heloísa Peres, segue o Projeto de ligar os irmão do sul, fortalecendo ações culturais que aproximem os países do Mercosul.
Sim! “ Arte e cultura são as Trilhas do Prata que desejam, trabalham e abrem comportas para um futuro melhor…”

Sabemos que para a Poesia, enquanto POÉTICA, seguir feito um rio vivo a sua foz é um viver sem fronteiras, sexo ou ideologias; por isso, transborda poros, almas, espíritos transparentes em qualquer cor…

Vidráguas a este Projeto que juntando letras,músicas, coreografia e artesanato, além de nos fazer bailar entre tambores evidencia a importância do trabalho que enlaçado gera aÇÃO à CULTURA … Bem, Milonga Del Moro Judío e Murga Reggae logo estarão ressonando junto a este coro, para tanto basta escutar Jorge Drexler, entre tanto Jorges, para saber que dia 25 e 26 de abril do próximo ano, os tambores triunfarão no Uruguai…

A todos um abraço poético, sucesso e Vidráguas!!!

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TRILHAS DE PRATA NO TEATRO SÃO PEDRO!

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E por falar em música… uma carta!

Sigam a carta de Tânia, um trabalho que traz receitas, fragmentos tipo vacina, indicando-nos quão importante é o ritmo, a poética, o conviver no compasso das pessoas.

Tita é um apelido de infância, com o qual muitos amigos nomeiam à Carmen Silvia Presotto, portanto…

Querida Tita,

Aqui vão fragmentos do trabalho que estou fazendo sobre ”poesia e música”…

POR FALAR EM POESIA…

Quanto mais independente for a poesia, mais estimulados são os sentidos, trazendo harmonia na valorização do prazer de viver.

Jorge Luis Borges, no livro ESSE OFÍCIO DO VERSO, tem transcritas seis palestras proferidas por ele em 1967-68, na Universidade de Harvard. Entre elas, destaco a primeira, O ENIGMA DA POESIA, e a quinta, PENSAMENTO e POESIA.

Em “O ENIGMA DA POESIA, Borges, o desvenda dizendo que “A poesia e a linguagem são uma “expressão”. Se pensarmos na expressão de algo, tornamos a cair no velho problema de forma e conteúdo; se pensarmos sobre expressão de nada em particular, isso de fato não nos rende nada. Assim, “a poesia não é alheia, a poesia, está logo ali, a espreita. Pode saltar sobre nós a qualquer instante. E a vida tenho certeza é feita de poesia”. Mais, (que) “… os livros são somente ocasiões para a poesia. O que é um livro em si mesmo? É um conjunto de símbolos mortos. E então aparece o leitor certo, e as palavras saltam para a vida.”
Já em no “PENSAMENTO e POESIA”, o Mestre, acrescenta que “O pensamento para a poesia são as palavras, e essas palavras são o próprio dialeto da vida.”, citando STEVENSON, para quem “…as palavras são destinadas ao comércio habitual do dia-a-dia, e o poeta, de algum modo, as converte em algo mágico.

Portanto, ao falarmos de poesia, podemos dizer que ela não faz o que STEVENSON pensava – a poesia não tenta pegar um conjunto de moedas lógicas e transformá-las em mágica. Mas, trata de levar a linguagem de volta as fontes. Assim, temos o fato de que as palavras começaram, em certo sentido, como mágica.

Tenho plena convicção de que sentimos a beleza de um poema antes mesmo de começarmos a pensar num sentido. Sentimos os versos antes de adotarmos esta, aquela, ou ambas as hipóteses.

Há versos, é claro, que são belos e sem sentido. “Porém ainda assim tem um sentido – não para a razão, mas para a imaginação.”

A poesia é uma nova experiência a cada leitura. Cada vez que leio um poema, a experiência acontece e, isso, é poesia. A arte acontece cada vez que lemos um poema.
Para mim, quando se fala em poesia, todo dia é dia, e toda hora é hora.

Dividir com você é prazeroso, rico e gostoso.
Jorge Luis Borges torna melhor as nossas vidas.

Beijos
Tânia Du Bois

Dividir, compartilhar, compor a ação sempre exige, no mínimo, uma cadeia de letras, de notas, de amigos para qualquer sujeito, depois…bem, depois saberemos e de quem é o tempo?
… e por isso, um intenso abraço Tânia. Obrigada por dividir com Vidráguas este trabalho , Jorge Luis Borges, e que a Poesia se multiplique por sempres!!!

Carmen Silvia Presotto