Geada

Numa manhã cinza e fria de rigoroso inverno,
uma inocente rosa pensou que podia acalentar rude estação,
e desabrochou linda, como um sorriso terno.
Mas, o inverno não lhe concedeu lugar em sua gélida razão
e, num massacre, suas tenras e macias pétalas queimou.
E a natureza, que se supõe ter a inteligência de Minerva,
a tarefa de seu servo, num lampejo de consciência , vislumbrou.
Mas, manteve seu disfarce de quem não erra e não se enerva,
ciente de tão mesquinha obra, da qual também compactuou.
E, na altivez de um déspota que não pode dispor de seu orgulho,
covardemente camuflada no escuro da madrugada, então chorou
cobrindo os frágeis restos de uma rosa, com gotas congeladas de orvalho.
(Américo J. Q. Conte)





