DESMATADA, PORÉM VIRGEM

E na mata
Desmatada, porém virgem,
Penetrei-me feito bandeirante,
Devastando, explorando
Tod’aquela terra de prazer.
Assim como a chuva
Seu corpo molhado
No seco campo recosta
Após os céus ter cortado
Um infinito raio,
Relâmpago de prazer,
Acompanhado por excitantes vórtices
Do trovejar incessante,
Imenso vendaval de volúpia
E, em desalinho,
Com suspeito desequilíbrio,
Infiltrei-me degustando
Tod’aquela relva,
Selva de prazer,
Sentindo levitar-me
Com aturdidos gestos sucessivos,
Inebriado
Pelo afrodisíaco perfume
Da selvagem terra molhada,
Debruçando constante meu corpo
Em quente colo.
E, na mata
Desmatada, porém virgem,
Penetrei-me feito bandeirante
Devastando, explorando,
Tod’aquela terra de prazer.
Amortecidos, enfim,
Após devastadas as matas
Desmatadas, porém virgens,
Adormecemos
Amordaçados,
Colados,
Colo a colo,
No ais
D’uma canseira
Um tanto quanto sensual e excitante.
Dormimos como cordeiros
Pairando esticados
Em emplumadas nuvens
De uma libido animal.
E as matas
Desbravadas ainda mais
Entregaram-se a um leito
Unidos por um sono profundo
Naquelas belas noites
De chuva,
De estelar céu reluzente
E lua cheia.
Amor tecidos enfim.
Geraldo Trombin
Diretor de criação/redator em agência de publicidade e membro do “Espaço Literário Nelly Rocha Galassi” – de Americana/SP, lançou em 1981 o seu livro “Transparecer a Escuridão”, produção independente de poesias e crônicas. Com mais de 40 classificações conquistadas em inúmeros concursos realizados em várias partes do país, tem trabalhos publicados em mais de 20 antologias.
Um abraço Geraldo, obrigada por compartilhar poesia e novidades com Vidráguas!!!
Logo abaixo mirem a capa…
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