Archive for julho 3rd, 2008

Vidráguas à Simone De Beauvoir…

Simone de Beauvoir

Hei, acordem… conversar sempre nos desperta à condição de sermos refugos do próprio tempo. Sim! E não há melhor pó de arroz para um alise de alma do que o velho e amigo encontro, para tanto conversemos… abracemos-nos!!!

E

Paremos de nos trapacear; o sentido de nossa vida está em questão no futuro que nos espera, não sabemos quem somos, se ignorarmos quem seremos: aquele velho, aquela velha, reconheçamo-nos neles. Isso é necessário, se quisermos assumir em sua totalidade nossa condição humana. Para começar, não aceitaremos mais com indiferença a infelicidade da idade avançada, mas sentiremos que é algo que nos diz respeito. Somos nós os interessados…”

Fragmentos do livro: A Velhice de Simone De Beauvoir. Editora Nova Fronteira.

O encontro das horas…

O dia estava ótimo. O sol brilhava. Coloquei a roupa lilás, minha preferida. Premonição ou compromisso? – Não sei!…
Saio para minha caminhada diária, retoco o batom e o cabelo e, bato a porta esperançosa…

encontro de horas
(Foto de Ricardo Hegenbart desde a Alemanha)

Muito esperançosa, não mudo o trajeto. Pode ser que minhas dúvidas se confirmem por imensa certeza… Encontrar aquele alguém pode ser o reencontro para me perder. Sigo seus passos. Suo, ao aumentar de som estico meu tempo… e danço!

Dunas da areia, vou amaciando o ritmo. Sentada, na grama com os pés no lago, alongo o corpo. Diminui meu coração, mas aumenta o compasso do odor de sentimentos, talvez seja a pressão do sol… impressão!?

Porém, como nem tudo é softwer, menos ainda livre e permissível feito web e google, me arrasto destes hards espelhamentos e chego a outros temporários espaços, todos lotados…Hei, vocês já repararam como a sombra sempre é mais gorda que em próprio reflexo?
Bem… vagão solto, vazio, desabotôo as horas do relógio e a harmonia que me balança.

Alcanço o outro lado, correndo a mim está o dia dos dias. Um tempo casulo, denúncia de já não sermos os mesmos… Sigo, teclo outras letras fugazes, imagino um tique-taque de versos soltos, ponteiros de asas poemas, sem talvez, mas cobertos de amanhãs em curvas que nos transportem a uma só viagem…

Carmen Silvia Presotto
Porto Alegre, 3 de julho de 2008

SOBRE GILBERTOS…

SOBRE GILBERTOS
sombras

Não me refiro aos gilbertos passados,
digo dos presentes em palavras soadas
na exatidão da terra e da vontade
persistente. Não digo dos gilbertos idos,
falo sobre os apresentados em obras
permanentes. Não falo dos gilbertos
ausentes, escrevo sobre os residentes
na perpetuidade da amizade.

(Pedro Du Bois, inédito)

Um poema liberalmente premiado…

DESMATADA, PORÉM VIRGEM
amor_lubrico

E na mata
Desmatada, porém virgem,
Penetrei-me feito bandeirante,
Devastando, explorando
Tod’aquela terra de prazer.

Assim como a chuva
Seu corpo molhado
No seco campo recosta
Após os céus ter cortado
Um infinito raio,
Relâmpago de prazer,
Acompanhado por excitantes vórtices
Do trovejar incessante,
Imenso vendaval de volúpia

E, em desalinho,
Com suspeito desequilíbrio,
Infiltrei-me degustando
Tod’aquela relva,
Selva de prazer,
Sentindo levitar-me
Com aturdidos gestos sucessivos,
Inebriado
Pelo afrodisíaco perfume
Da selvagem terra molhada,
Debruçando constante meu corpo
Em quente colo.

E, na mata
Desmatada, porém virgem,
Penetrei-me feito bandeirante
Devastando, explorando,
Tod’aquela terra de prazer.

Amortecidos, enfim,
Após devastadas as matas
Desmatadas, porém virgens,
Adormecemos
Amordaçados,
Colados,
Colo a colo,
No ais
D’uma canseira
Um tanto quanto sensual e excitante.
Dormimos como cordeiros
Pairando esticados
Em emplumadas nuvens
De uma libido animal.

E as matas
Desbravadas ainda mais
Entregaram-se a um leito
Unidos por um sono profundo
Naquelas belas noites
De chuva,
De estelar céu reluzente
E lua cheia.
Amor tecidos enfim.

Geraldo Trombin

Diretor de criação/redator em agência de publicidade e membro do “Espaço Literário Nelly Rocha Galassi” – de Americana/SP, lançou em 1981 o seu livro “Transparecer a Escuridão”, produção independente de poesias e crônicas. Com mais de 40 classificações conquistadas em inúmeros concursos realizados em várias partes do país, tem trabalhos publicados em mais de 20 antologias.

Um abraço Geraldo, obrigada por compartilhar poesia e novidades com Vidráguas!!!

Logo abaixo mirem a capa…

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