MÁRIO QUINTANA: O poeta diante da sua própria arte

o poeta diante de sua própria arte
por Tânia Du Bois

Estamos comemorando o seu aniversário de nascimento, a ocorrer em 30 de julho – uma oportunidade para relembrar a sua intensa vida de trabalho, de emoção, que possibilita a realização integral de seus sonhos de luz, de liberdade e de felicidade em outro plano.
Quintana foi um poeta muito especial, que nos permite penetrar surdamente no reino das palavras quintanares e passear pelos seus textos como quem conversa com um amigo.
A reunião de alguns de seus textos permite a visão do seu percurso: o poeta diante da sua própria arte:

1 – Preto no Branco
“A arte de escrever é; por essência, inerte e tem sempre um quê
proibido: algo assim como essa tentação irresistível que leva os
garotos a riscar a brancura dos muros”.

2 – A Rua dos Cataventos
“Jogos de luz dançando na folhagem!
Do que eu ia escrever até esqueço…
Pra que pensar? Também sou da paisagem…”
Primeiro livro de poemas, mostra como o poeta vê a vida de maneira
simples e mágica

3 – “De Sonetos e de Canções”
Uma das características de Mário Quintana é a melodia de seus
versos. Sua poesia extrai das palavras as propriedades musicais e
através do som e do ritmo constrói significados.

4 – O Diálogo entre o Poeta e a Rua
“Dorme ruazinha… É tudo escuro…
Em meus passos, quem é que pode ouvi-los?”
A exploração da musicalidade presente nos sonetos.

5 – XI “Passos da Cruz”
“Não sou eu quem descrevo
Eu sou a tela
E oculta a mão colore alguém em mim”
mario_quintana uma eterna ave
(imagem arquivo pessoal_Vidráguas)
O poeta funde em poesia a sua sensibilidade associando a poesia à
arte.

6 – O Mapa
“Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia do corpo…”
Esse poema fala de lugares, ruas, bairros e estão relacionados a
diferentes lembranças.

7 – Na Volta da Esquina
“Os sorrisos mais encantadores que a gente recebe na vida são os
desses candidatos em vésperas de eleições”.
O eu-lírico presente no texto “sorrisos” com uma pitada sobre
política.

8 – Ora Bolas
Segundo Luís Fernando Veríssimo, Quintana dizia muito “ora
bolas”, que era o seu desabafo de mil utilidades – é um livro que
reúne o humor cotidiano.

9 – Dos Livros
“A duas espécies de livros: uns que os leitores esgotam, outros que
esgotam os leitores”.
É interessante como o poeta dá dois sentidos ao texto: um do tipo
de livro que se lê e o outro que se baseia na experiência pessoal do
leitor.

10 – O Auto-retrato
“No retrato que faço
– traço a traço –
as vezes me pinto nuvem
as vezes me pinto árvore”.
O poeta sempre brincou com o mistério das palavras.

Mário Quintana, grande poeta, o mais solicitado pelos estudantes, o mais lido no país. Sua influência entre os jovens sempre foi – e é – real e vivenciada, como mostra o poema escrito por minha filha, Marina, na sua juventude:

TARDE À QUINTANA

Hoje não pude te avistar
nem tive notícias d’além mar
E tem aquele meu pedaço
que vai viajar
sem poder comigo estar
quando eu mais precisar…
… Para me acobertar.

Bobagens a fazer
vontade de enlouquecer
de desaparecer…
… como o sol, que sumiu
Deixando-me uma tarde chuvosa
que lembra Quintana:
“E chove sem saber porquê
E tudo foi sempre assim
Parece que vou sofrer
Pirulim lulim lulim”.

Para Quintana, escrever era a sua maneira de comunicar-se com o mundo. Hoje, a certeza de estar vivo. E sempre lembrando o que o poeta deixou em Dupla Delícia: “O livro traz a vantagem de a gente estar só e ao mesmo tempo acompanhado”.
Ao consagrado poeta, companheiro de todas as horas, minha deferência, com suas próprias palavras em Versos Perdidos: “Eu te amo a perder de vista”.

Querida Tita,
uma crônica em comemoração ao aniversário – este mês – do Poeta.
beijos,

Tânia

Em nome de Vidráguas, um abraço querida amiga e companheira de cartas e versosqueconversam…
Carmen Silvia Presotto

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