Archive for julho 23rd, 2008

Um evento, um livro, um encontro de mãos…

Uma noite para homenagear o amor pela música e a Arte da Sublimação pela arte…

A história pode ser enredo para um grande filme de Hollywood, e já virou documentário premiado: um talentoso pianista, reconhecido mundialmente como um dos maiores intérpretes de Bach perde seus movimentos com as mãos. O que poderia se tornar uma tragédia se transforma em uma grande história de superação e amor à música.

A Saga das Mãos

Esse músico que se chama João Carlos Martins, que esteve diante de nós, regendo a OSPA, ontem no Teatro do Bourbon Country, comprova que quando as mãos cessam de funcionar perfeitamente, a Grande Arte reiventa-se, supera-se sobre os acordes que vem do coração e através de Bach, Mozart, Astor Piazzolla ( Adios Nonino) e um arranjo muito especial do Hino Nacional Brasileiro, atravessa nossa sensibilidade que não poupou as mãos para aplaudir o grande músico João Carlos Martins junto a grande Orquestra da OSPA.
Se não bastasse o Grande Momento, ainda poderemos ter em mãos o livro deste músico: A Saga das Mãos, um best-seller no campo da música clássica, lançado em 2007.

E como a arte que conVersa, sempre se encontra-se, segue um Poema de Mãos em Cena, do poeta Pedro Du Bois:

BASTA

Bastam as mãos
apegadas ao formão e o martelo
desbastado ao desenho
em giz cera e grafite errático
sobre o corpo nu que na cama
arde desejos de saudade

sabe que o pó entranha a pele
e os pés descalços passam
em certeira cor

o mistério contado
como verdade, recortado
demonstra o que se encontra
sobre a pedra
em formato de traços
e a cor polida
com que se apresentam as obras feitas

sem enfeites bastam as mãos
repostas sobre a obra.

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Um instante entre dois nadas

Por Antonio Olinto

A poesia de Marly de Oliveira (que nos deixou há um ano) preenche a definição de Roupnel e Bachelard de que “o tempo só tem uma realidade: a do instante”. E esse instante se acha colocado “entre dois nadas”. Aí estaria o falso vazio que estimula a linguagem mística. Pois mística foi muito a poesia de Marly de Oliveira, de um misticismo raro na poesia brasileira, gênero em que entre nós só a figura de Junqueira Freire se destaque.

No caso de Marly de Oliveira, que não pertencia a uma organização conventual, como Junqueira, o misticismo tem uma força vocabular que realça o Instante em que a vida se concentra. Leia-se, de Marly de Oliveira, estes versos que falam de amor:

“Pousa em mim os teus olhos vagarosos,
Sobre meu dorso livre, água tranqüila,
Deslizando comigo até o nada.
Nada há que se compare ao grande susto
Do mútuo descobrir-se e de sua dor.
Vivamos a verdade deste sonho.
Que se sabe do amor?”

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Uma dica de dar água na boca…

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Beijocas

Ana Carolina Acom – site: modamanifesto
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