Um evento, um livro, um encontro de mãos…
Uma noite para homenagear o amor pela música e a Arte da Sublimação pela arte…
A história pode ser enredo para um grande filme de Hollywood, e já virou documentário premiado: um talentoso pianista, reconhecido mundialmente como um dos maiores intérpretes de Bach perde seus movimentos com as mãos. O que poderia se tornar uma tragédia se transforma em uma grande história de superação e amor à música.

Esse músico que se chama João Carlos Martins, que esteve diante de nós, regendo a OSPA, ontem no Teatro do Bourbon Country, comprova que quando as mãos cessam de funcionar perfeitamente, a Grande Arte reiventa-se, supera-se sobre os acordes que vem do coração e através de Bach, Mozart, Astor Piazzolla ( Adios Nonino) e um arranjo muito especial do Hino Nacional Brasileiro, atravessa nossa sensibilidade que não poupou as mãos para aplaudir o grande músico João Carlos Martins junto a grande Orquestra da OSPA.
Se não bastasse o Grande Momento, ainda poderemos ter em mãos o livro deste músico: A Saga das Mãos, um best-seller no campo da música clássica, lançado em 2007.
E como a arte que conVersa, sempre se encontra-se, segue um Poema de Mãos em Cena, do poeta Pedro Du Bois:
BASTA
Bastam as mãos
apegadas ao formão e o martelo
desbastado ao desenho
em giz cera e grafite errático
sobre o corpo nu que na cama
arde desejos de saudade
sabe que o pó entranha a pele
e os pés descalços passam
em certeira cor
o mistério contado
como verdade, recortado
demonstra o que se encontra
sobre a pedra
em formato de traços
e a cor polida
com que se apresentam as obras feitas
sem enfeites bastam as mãos
repostas sobre a obra.






