Um olhar sobre o tempo…
“Há mais eus do que eu mesmo”
Fernando Pessoa
Tempo de Escritura
Nascimento e morte!
Os demais são marcas do visto, do sentido ou do relógio.
Todos… ponteiros sinalizadores de momentos, sonhos e ilusões.
Desassossegos me acusam
:
Há mais eus do que um mesmo,
encontrando vidas nunca imaginadas.
Vidas de sombras…
de esquinas.
Vidas tantas que não caibo mais em meus tecidos.
Daí, esse corpo dilacerado!
Ele e eu sempre pensamos existir em apenas uma alma.
Pequena?
Mas, apenas uma…
Suportável?
Mas vestindo dedos, pés, mãos, pernas e braços, adornados por um coração pulsante e uma mente que de tantas buscas quedou num espaço invisível onde transbordam mundos além dos pólos.
Mundos enrugados…
camuflados.
Escondido por dobras, víceras e tais…
Muros que se apresentam da tela real.
Momentos feito fantasmas
que driblam uma ingênua criança
impossibilitando-a de querer acordar no amanhã.
Desnaturada, a pequena criatura, perde seus hojes do caminho.
Apavorada, fecha suas janelas…
Suplicante, adormece na noite para que o dia sobreponha-se ao Sol
estrela fulgurante
que lhe abrirá o perdido presente.
Pede a cada lua um novo sol…
e a cada beijo um novo despertar.
De dois momentos vividos, apenas lhe restará um.
Assim é o espaço…
assim é a vida!
Onde um nasce
um outro morre
e surge o novo, feito Fênix Universal
Cinzas mágicas do tempo que faíscam despertares na existência.
Mágicos renascimentos… verdes pílulas.
Tempo de viver, tempo de escritura!
Carmen Silvia Presotto






