Archive for julho 28th, 2008

Um olhar sobre o tempo…

“Há mais eus do que eu mesmo”
Fernando Pessoa
casa_museo_Gaudí

Tempo de Escritura

Nascimento e morte!
Os demais são marcas do visto, do sentido ou do relógio.
Todos… ponteiros sinalizadores de momentos, sonhos e ilusões.
Desassossegos me acusam
:
Há mais eus do que um mesmo,
encontrando vidas nunca imaginadas.

Vidas de sombras…
de esquinas.
Vidas tantas que não caibo mais em meus tecidos.

Daí, esse corpo dilacerado!
Ele e eu sempre pensamos existir em apenas uma alma.
Pequena?
Mas, apenas uma…
Suportável?
Mas vestindo dedos, pés, mãos, pernas e braços, adornados por um coração pulsante e uma mente que de tantas buscas quedou num espaço invisível onde transbordam mundos além dos pólos.

Mundos enrugados…
camuflados.
Escondido por dobras, víceras e tais…
Muros que se apresentam da tela real.
Momentos feito fantasmas
que driblam uma ingênua criança
impossibilitando-a de querer acordar no amanhã.

Desnaturada, a pequena criatura, perde seus hojes do caminho.
Apavorada, fecha suas janelas…
Suplicante, adormece na noite para que o dia sobreponha-se ao Sol
estrela fulgurante
que lhe abrirá o perdido presente.

Pede a cada lua um novo sol…
e a cada beijo um novo despertar.
De dois momentos vividos, apenas lhe restará um.

Assim é o espaço…
assim é a vida!

Onde um nasce
um outro morre
e surge o novo, feito Fênix Universal
Cinzas mágicas do tempo que faíscam despertares na existência.

Mágicos renascimentos… verdes pílulas.
Tempo de viver, tempo de escritura!

Carmen Silvia Presotto

Em defesa da Poesia, Ruben Darío…

Ruben_Darío
“Em defesa da poesia

Tenho dito: Quando disse que minha poesia era “minha em mim”, sustentei a primeira condição de meu existir, sem pretensão nenhuma de causar sectarismo em mente ou vontade alheia, e em um intenso amor absoluto da Beleza.

Tenho dito: Ser sincero é ser potente. A atividade humana não se exercita por meio da ciência e dos conhecimentos atuais, mas sim no vencimento do tempo e do espaço.

Tenho dito: É a arte o que vence o espaço e o tempo. Meditei ante o problema da existência e procurei ir à mais alta idealidade. Expressei o expressável de minha alma e quis penetrar na alma dos demais e fundir-me na vasta alma universal. Afastei, ainda assim, como quer Schopenhauer, minha individualidade da do resto do mundo, e vi com desisteresse o que ao meu eu parece estranho, para convencer-me de que nada é estranho ao meu eu. Cantei, em meus diferentes modos, o espetáculo multiforme da Natureza e seu imenso mistério. Celebrei o heroísmo, as épocas belas da História, os poetas, os sonhos, as esperanças. Impus ao instrumento lírico minha vontade do momento, sendo, por minha vez, órgão dos instantes, vário e variável, segundo a direção que imprime o inexplicável Destino.
[...]
A poesia existirá enquanto exista o problema da vida e da morte. O dom de arte é um dom superior que permite entrar no desconhecido de antes e no ignorado de depois, no ambiente do sonho ou da meditação. Há uma música ideal como há uma música verbal. Não há escolas; há poetas. O verdadeiro artista compreende todas as maneiras e encontra a beleza sob todas as formas. Toda a glória e toda a eternidade estão em nossa consciência.”

Trecho do Prólogo de El Canto Errante, 1907 – Ruben Darío.

E com este prólogo trabalhado na Oficina de Poesia Castelhana, abraço o meu canto ao III FESTIVAL DE INVERNO, um sucesso cultural sem fronteiras.

Aos organizadores do Evento, parabéns!
Por cada encontro, passo a passo, golpe a golpe, cara a cara, que nos faz seguir o coro de querer mais Arte, nosso verdadeiro dote cultural… Pois, sabemos que colada a Ela está a diversidade que ao cantar, dançar, escrever, desperta Um para multiplicar trabalhos a todos.

Carmen Silvia Presotto
em nome de Vidráguas.