Archive for setembro, 2008

Sopro Astral

sopro astral
Os sonhos que tenho tido dormindo
não são nada bons.
A vida que levo no dia a dia
não tem nada de especial.

Só quando sonho acordado
é que sou feliz,
porque tudo quanto depende de outro alguém
nunca funciona, nada sai bem.

Então invento e crio fantasias
sempre fingindo que tudo irá se realizar,
embora de antemão sabendo
que no que vem de fora não se pode confiar.

E desta forma, tocando e dançando
a compor minha própria canção,
recriando um outro mundo só para mim,
mando às favas Deus e o Diabo e todos os seus egos
cujos egocêntricos umbigos não passam de um buraco negro.

E mesmo que eu nada decida ou determine,
fabrico e injeto em mim uma vacina
como antídoto para que não me contamine
com todas as histórias, asneiras e barbáries
que as civilizações e suas instituições
prontamente pretendem me aplicar.

Américo Conte

Créditos da foto:
Nome:Bola de sabão
Autor: Pedro N S Costa
Site:http://olhares.aeiou.pt/bola_de_sabao/foto1710382.html

LEMBRANÇA DE MACHADO DE ASSIS

por Tânia Du Bois
machado de assis

Falar em Machado de Assis é lembrar o amor, as relações amorosas e os seus romances, como RESSURREIÇÃO (que foi o seu primeiro romance); os romances de folhetins, como A MÃO E A LUVA e HELENA; e IAIÁ GARCIA.

“Cada qual sabe amar a seu modo; o modo, pouco importa, o essencial é que saiba amar.”

Considerado o pai do realismo na literatura brasileira, escreveu vários livros de contos e, entre eles, destaco O ALIENISTA, em que discute a loucura, abrindo espaço para as questões psicológicas dos personagens. Nessa fase ele retrata o realismo literário, fazendo uma análise do ser humano.
Temos, também, o livro MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS, que foi um dos marcos do realismo em nossa literatura, num estilo pouco convencional da época e que se encerra com a seguinte frase: “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria.”

Machado tinha apenas 16 anos quando publicou o seu primeiro livro de poemas, “ELA” (já era um talento), escrevendo apenas no seu tempo livre, pois, era de família humilde e necessitava trabalhar; isso não o impediu de se tornar um grande escritor, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, da qual foi o seu primeiro presidente. Nela, como patrono, escolheu José de Alencar, por ter sido seu grande amigo.

“Não é amigo aquele que alardeia a amizade: é traficante; a amizade sente-se, não se diz.”

Por sua importância, a A.B.L. passou a ser chamada de a CASA DE MACHADO DE ASSIS.
Sempre lembramos de Machado; ele está presente entre nós e sempre nos coloca em sintonia, na literatura, com os ritmos do mundo.

“Pensamentos valem e vivem pela observação exata ou nova, pela reflexão aguda ou profunda; não menos querem a originalidade, a simplicidade e a graça do dizer.”

Assim, lembramos do escritor carioca, brasileiro, Machado de Assis e da obra que nos deixou: “Para as rosas, escreveu alguém, o jardineiro é eterno.”

Viva o jardineiro da Literatura!!!!!!

(imagem retirada da internet: http://orbita.starmedia.com/)

Orquídeas…

orquÍDeas
(foto de Ricardo Hegenbart)

No jardim
floresce uma noite sem fim

perfume
com cocégas de tempo
entre seus ramos
surge outra canção

é ela, sou eu
é um abraço violáceo
flor e retrato
exato momento
olhar sentimento
que, ao lembrar, exala a nova estação

Na noite,
uma orquídea
que ao amaciar o rocio dos dias, renasce-me…

Carmen Silvia Presotto

Morre o ator americano Paul Newman

Paul Newman

O Cinema está de tarja preta, morre um dos seus maiores ícones. Porém, sabemos, sua memórias seguirão vivas nas retinas de nossas imaginações, pois além da saudade, ele está tombado em Grande Acervo, Teto de Céu de onde nos reenviverá os verdes olhares de suas interpretações…

- 1955: “Cálice sagrado”

- 1956: “Marcado pela sarjeta”

- 1958: “Um de nós morrerá”.

- 1958: “Gata em teto de zinco quente”

- 1960: “Exodus”

- 1961: “Desafio à corrupção”

- 1962: “Doce pássaro da juventude”

- 1963: “O Indomado”

- 1964: “Quatro confissões” (The outrage)

- 1966: “Lady L”

- 1967: “Rebeldia Indomável”

- 1969: “Butch Cassidy and the sundance kid” (Dois homens e um destino)

- 1972: “O efeito dos raios-gama nas margaridas”

- 1972: “O Homem da lei”

- 1973: “O emissário de MacKintosh”

- 1973: “Um golpe de mestre”

- 1974: “Inferno na torre”

- 1976: “Buffalo Bill”

- 1979: “Quinteto”

- 1982: “Veredito”

- 1984: “Eterno amigo”

- 1986: “A cor do dinheiro”

- 1990: “Mr and Mrs Bridge” (Cenas de uma família)

- 1994: “A roda da fortuna”

- 1998: “Twilight” (Fugindo do passado)

- 1998: “Message in a bottle” (As palavras que nunca te direi)

- 2001: “Caminho para a perdição”

- 2006: “Carros”

Vidráguas a Paul Newman, alguém impossível de esquecimento!!!

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Forte Silêncio

Forte Silêncio
o eco d1agua
(foto arquivo pessoal_VIDRÁGUAS)

Esta linguagem é pura. No meio está uma fogueira e a eternidade das mãos. Esta linguagem é colocada e extrema e cobre, com suas lâmpadas, todas as coisas. As coisas que são uma só no plural dos nomes. – E nós estamos dentro, subtis, e tensos na música. Esta linguagem era o disposto verão das musas, o meu único verão. A profundidade das águas onde uma mulher mergulha os dedos, e morre. Onde ela ressuscita indefinidamente. – Porque uma mulher toma-me em suas mãos livres e faz de mim um dardo que atira. – Sou amado, multiplicado, difundido. Estou secreto, secreto- e doado às coisas mínimas. Na treva de uma carne batida como um búzio pelas cítaras, sou uma onda. Escorre minha vida imemorial pelos meandros cegos. Sou esperado contra essas veias soturnas, no meio dos ossos quentes. Dizem o meu nome: Torre. E de repente eu sou uma torre queimada pelos relâmpagos. Dizem: ele é uma palavra. E chega o verão, e eu sou exactamente uma Palavra. – Porque me amam até se despedaçarem todas as portas, e por detrás de tudo, num lugar muito puro, todas as coisas se unirem numa espécie de forte silêncio.

Herberto Helder