novembro 21st, 2008 in Poemas, Versos que Conversam | No Comments »
O VESTIDO

No armário do meu quarto escondo de tempo e traça
meu vestido estampado em fundo preto.
É de seda macia desenhada em campânulas vermelhas
à ponta de longas hastes delicadas.
Eu o quis com paixão e o vesti como um rito,
meu vestido de amante.
Ficou meu cheiro nele, meu sonho, meu corpo ido.
É só tocá-lo, volatiza-se a memória guardada:
eu estou no cinema e deixo que segurem a minha mão.
De tempo e traça meu vestido me guarda.
Adélia Prado
Queridos Amigos, com este poema desejamos um ótimo final de semana a todos, aproveitando para comunicar que por uma semana estaremos com o Sítio em reformas para conSertos.
Em busca de uma roupa nova, logo, logo, seguiremos compartilhando mais Palavras à Poesia, gracias e Vidráguas a todos…
novembro 20th, 2008 in Lançamentos, Poemas, Versos que Conversam | 1 Comment »

Depois de toda guerra
alguém precisa fazer a limpeza.
Já que uma ordem como essa
não vai se fazer sozinha.
Alguém precisa tirar
o entulho das ruas
para que as carroças possam passar
com os corpos.
Alguém precisa atolar-se
na lama e nas cinzas,
nas molas dos sofás,
nos cacos de vidro,
nos trapos ensangüentados.
Alguém precisa arrastar o poste
para levantar a parede,
alguém precisa envidraçar a janela,
pôr as portas no lugar.
Fotogênico isso não é,
e leva anos.
Todas as câmeras já saíram
para outra guerra.
Precisamos das pontes
e das estações de trem de volta.
Mangas de camisas ficarão gastas
de tanto serem arregaçadas.
Alguém de vassoura na mão
ainda lembra como foi.
Alguém escuta e concorda
assentindo com a cabeça ilesa.
Mas haverá outros por perto
que acharão tudo isso
um pouco chato.
De vez em quando alguém ainda
tem que desenterrar evidências enferrujadas
debaixo de um arbusto
e arrastá-las até o lixo.
Aqueles que sabiam
o que foi tudo isso,
têm que ceder lugar àqueles
que sabem pouco.
E menos que pouco.
E finalmente aos que não sabem nada.
Na grama, que cobriu
as causas e as conseqüências,
alguém precisa deitar
com um matinho entre os dentes
e o olhar perdido nas nuvens.
Koniec i początek,Poema de Wislawa Szymborska, tradução de Tiago Halewicz em Memória Cultural Polonesa.
novembro 20th, 2008 in Poemas, Versos que Conversam | No Comments »

Aquele ônibus circular abarrotado,
torto, inclinado para um lado,
se arrastando e gemendo
ao subir a longa ladeira,
assemelhado ao andar
de uma cansada e velha parteira.
Quem a distância observá-lo de frente
com aquela espessa franja no pára-brisa
e desgastada colcha de retalhos ao pé do volante
sobre a qual se fixa garbosa
uma imagem de Nossa Senhora Aparecida,
a conter aqui e acolá
mais algum outro profano penduricalho,
poderá tomar-lhe com certeza
por um oratório ambulante
cumprindo a sua via-crúcis
através do asfalto escaldante.
Poema de Américo Conte
Imagem da Internet
novembro 19th, 2008 in Lançamentos | No Comments »
Amigos, apareçam, juntos o brinde selará o Verdadeiro Encontro , amigos, Livros a mais Memórias…


Vidráguas a mais um Livro nas ruas em parceria com StudioClio e R&O Editores.
psiu: O Livro- Memória Cultural Polonesa de Tiago Halewicz, encontra-se a venda em todas as lojas da Livraria Cultura, StudioClio e sempre com tele-entrega!!!
novembro 19th, 2008 in Poemas, Versos que Conversam | 1 Comment »

Quando um corpo
se enlaça
em outro corpo,
nasce o enredo.
Quando um corpo
se entrega
a outro corpo,
tem o coração mais sustos
do que as mãos
brinquedos.
Quando um corpo
se despede
de outro corpo,
quem mais amou
cumpre o degredo.
Luiz Coronel, pg. 76 -O Recreio da Segunda Infância- Editora Mecenas