Amor à primeira vista

Foto: Henri Cartier-Bresson, Boulevard Diderot, 1969 Ambos estão convencidos De que foi um sentimento súbito que os uniu. Linda é uma certeza assim, mas a incerteza é ainda mais linda. Acham que por não terem se conhecido antes nunca houve nada entre eles. E o que diriam as ruas, escadas, corredores, pelo quais há muito tempo poderiam cruzar? Gostaria de perguntar-lhes Se não lembram – na porta giratória um dia cara a cara? um “com licença” em meio à multidão? A voz “engano” no telefone? – mas conheço sua resposta. Não, não lembram. Ficariam muito espantados em saber que desde muito tempo o acaso brincava com eles. Ainda não totalmente preparado a transformar-se para eles num destino, aproximava-os e os afastava, cortava-lhes o...

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Não vou ligar

Eu tenho alguém que me liga desde o berçário. Seja em que data for: comunhão da filha, aniversário de todos amigos, dia da minha sogra lá está ele com seus toques: não vá esquecer que hoje é o dia d e antes, eu esperava esclarecimentos. Agora, já respondo corretamente conforme o seu chamado. Tem dias que me sinto muito embolada, parece que toda a nossa cumplicidade não tivera outra saída: abatumamos a amizade. Noutros, o alguém me lembra a mim mesmo, amiga e mãe, evidenciando a solidão de quem não tem irmãos e se torna uma irmã mais velha: zelosa, grudada e, terrivelmente, ciumenta. Às vezes, chego a pensar que Alguém em vez de amigo é uma agenda que nasceu só para me perseguir. Desde o hospital viemos amigos, ligados. Crescendo,...

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Pedra negra sobre Pedra branca

Foto: Brassaï, Une Fille, Rue Quincampoix c, 1932 Pedra negra sobre Pedra branca César Vallejo Tradução: Ferreira Gullar Morrerei em Paris com aguaceiro, em um dia do qual já me recordo. Morrerei em Paris – não abro mão – numa quinta-feira, como esta, no outono. Será na quinta, porque hoje, quinta, proso estes versos, os úmeros os pus no correio e, jamais como hoje, me encontrei, depois de todo este caminho, só. Morreu César Vallejo, o espancavam todos sem que lhes tenha feito nada. Batiam-lhe com pau, batiam duro Também com soga; e disso são provas as quintas-feiras e os ossos úmeros, a solidão, a chuva, os...

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Chamando os Pássaros

Arte de Frida Kahlo Confessar uma mentira não me torna verdadeiro. Praticar uma loucura não me torna louco. Bem sei que nasci num mundo que cansou de ultrapassar os limites, decidiu retroceder as barricadas e moralizar as sobras. Azar é o meu. Varremos as cicatrizes para debaixo das tatuagens. Somos bem mais conservadores do que nossos avôs. Desejamos uma fantasia romântica, mas percorremos a mesma única estrada. A que nos ensinaram a ir à escola. Há outras vias baldias e escuras que não são descortinadas – e orvalham quietas pelo excesso de vidro. Lamento que ninguém mais tome carona no amor – é só dirigindo. Não suportamos que os outros não nos entendam. Um amor tem que ser público, não pode ser proibido, profano, incompreensível,...

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Dormindo nas Águas

Foto: Asako Narahashi – Kawagushiko, 2003 Da série Half awake and half asleep in the water / Galerie Priska Pasquer. “Depois chegara à conclusão de que ela não tinha um dia-a-dia mas sim uma vida-a-vida. E aquela vida que era sua nas madrugadas era sobrenatural com suas inúmeras luas banhando-a de um prateado líquido terrível.” Clarice Lispector, Aprendendo a Viver Imagens, Rocco.

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MAX MARTINS: em busca do novo

por Tânia Du Bois Escrevo duro escrevo escuro Neste muro o que procuro, furo. Max Martins foi autodidata, poeta paraense, nasceu em 20 de junho de 1926, em Belém do Pará, e morreu em 09 de fevereiro de 2009. Muito jovem se interessou pela poesia e sempre foi em busca do novo. Max Martins, foi um dos maiores nomes da poesia nacional. Ele despertou a atenção nacional, passando a limpo os conflitos agrários. “Sua poesia é (in)tensa, possui um discurso poético que resulta da escavação lingüística, verso rupestre moldando, no corpo do poema”, nas palavras de Elias Ribeiro Pinto. A poesia de Max, como observa Benedito Nunes, nasce, renasce de rumores de crises – é no limite da página que o poeta supera seus limites. Conta o amigo...

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Hoje na noite a voz do samba é verde, é rosa, é Mangueira…

G.R.E.S. ESTAÇÃO PRIMEIRA DE MANGUEIRA, traz os Brasis do Brasil mostrando a Formação do Povo Brasileiro Deus me fez assim, filho desse chão Sou povo, sou raça… Miscigenação Mangueira viaja nos Brasis dessa nação O branco aqui chegou No paraíso se encantou Ao ver tanta beleza no lugar Quanta riqueza pra explorar Índio valente guerreiro Não se deixou escravizar, lutou… Em um laço de união surgiu O negro, mesmo entregue a própria sorte Trabalhou com braço forte Na construção do meu Brasil É sangue, é suor, Religião Mistura de raças num só coração Um elo de amor à minha bandeira Canta a Estação Primeira Cada lágrima que já rolou Fertilizou a esperança Da nossa gente valeu a pena De Norte a Sul desse país Tantos Brasis,...

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Ô Abre-alas, no Projeto Valise Carmen Miranda

porCarmen Silvia Presotto Aqui, Lapa língua matreira cadência e gingado na Batucada da Vida que samba em meio a tantos Alô…Alô? Lá, balagandãs, turbantes e saias Camisa Listada samba e marchinhas entre choros para dizer, simplesmeste, Mamãe eu quero Lá e cá: canto y dança Grave Voz que por 100 anos efeito mãos recortadas sombras e silêncio recorta o Brasil a muitos tabuleiros cantantis do Norte ao Sul… por Marco Aqueiva Carmen leva o poeta à ciranda batucada que seus males espanta Ambos vão-se rindo sem saciedade no abre-alas que reinventa o carnaval Imagens – Museu Virtual Carmen Miranda: http://carmen.miranda.nom.br/ Publicação do Projeto Valise em 18 de fevereiro. Para ler mais Valises, visite o site e conheça o Projeto,...

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É carnaval e olha a Poesia aí gente…

Alô, alô! Que samba dá poesia e prosa sabemos, agora vamos sambar junto com G.R.E.S. Mocidade Independente de Padre Miguel que com as estrelas de Machado de Assis e Guimaraes Rosa vão iluminar a Avenida em versos e prosa. Reluzente, estrela de um encontro divinal Risca o céu em poesias Traz a magia pra reger meu Carnaval Despertam das páginas do tempo Romances, personagens, sentimentos… Machado de Assis que fez da vida sua inspiração Um literato iluminado As obras, um destino, a superação Nos olhos da arte, reflete o legado Do gênio imortal, do bruxo amado Que deu ao jornal, um tom verdadeiro Apaixonado pelo Rio de Janeiro A canção do meu sarau te faz sonhar A emoção vai te levar A estrela adormece, na paz do amor Abençoado um novo sol brilhou O...

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É Carnaval

Foto: André Mourão/Efe, Folha Online, Imperatriz Leopoldinense, 2008. pula, dança, canta, ama, descansa, alonga, medita, rebola, de colar ou flor, confete e serpentina, assim rufião, lança perfume no suor de cada dia, até as cinzas! afinal é Carnaval, a poesia te quer folião, Bom Carnaval!!! Poema de Isolde Bosak.

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