Caros Amigos:
Após uma semana, revendo meus escritos e atos, desejo compartilhar algo que há muito vem me irritando. Pois saibam vocês, que sou assinante do Jornal Folha de São Paulo a perder de anos, o que me leva todos os finais de semana a fuxicar por novos escritos, leituras, resenhas , mas o que de uns tempos para cá também tem me colocado um tanto estranha.
Explico a vocês… telefone! …vejam só, justo quando lhes escrevo esta carta, toca o telefone , adivinhem: alguém da folha de são Paulo para ver se chegaram bem as entregas e quando ligo para lá me passam para um, para dois, para três e agora ligam, não dá para acreditar!!! E já escrevi, e já liguei, e já denunciei….bem, só podem ser máquinas a atender. Vá saber?
Bem, mas como lhes dizia, faz uns dois anos que a tal entrega está me perseguindo. Chega sábado, saio para minha caminhada matinal, imaginem que até o quitandeiro da esquina pergunta: já chegou a folha???
Claro, não tem como não ficar paranóica!
Antes, conto a vocês, desconfiava até de meus vizinhos. Depois, teve um tempo, que dei para verificar os cadernos do jornal para me certificar de que eles não tinham manchas de dedos, rastros de leituras antes dos meus.
Juro, caros amigos, cheguei acordar mais cedo para averiguar o bairro, sentir se por acaso alguém também não recebia o tal jornal. E até sono perdi, confesso que teve uma noite em que acordei escabelada, suada, sentindo-me abafada por muitas folhas, então vejam vocês a que ponto chega um assinante-leitor.
Chego a pensar que tudo possa ser reflexo de outros tempos, antigos tempos, quando meu outro jornal sumia no tapete da porta. Bem, mas esta assinatura eu resolvi, efetuando duas, uma para cima do tapete e outra para baixo e para isso, é claro, que fiz um pacto com o porteiro. Mas cá para nós, vocês agüentariam receber um jornal todo amassado, com os cadernos desfeitos e no horário exato que o motor de um carro soa na garagem?
Ah, sem contar da vez que nem as palavras cruzadas respeitaram. Ou do tempo que deram para sublinhar os tópicos mais importantes que liam, fazendo-me ler duplamente, o que me interessava e os outros…
Enfim, amigos, pelo menos o jornal chegava!
Agora, escrevo para por fim à novela, folha não dá para não ler, vocês acreditam? Eu sim, mas não ligarei mais.
E até para ser coerente com o que leio e escrevo, a partir desta confissão, não ficarei a esperar, irei até a esquina, como diz o Poeta, comprar o jornal…
Carmen Silvia Presotto