o sal da língua

Foto: Kiem Tang, ••• Persistent.
O sal da língua
Escuta, escuta: tenho ainda
uma coisa a dizer.
Não é importante, eu sei, não vai
salvar o mundo, não mudará
a vida de ninguém – mas quem
é hoje capaz de salvar o mundo
ou apenas mudar o sentido
da vida de alguém?
Escuta-me, não te demoro.
É coisa pouca, como a chuvinha
que vem vindo devagar.
São três, quatro palavras, pouco
mais. Palavras que te quero confiar,
para que não se extinga o seu lume,
o seu lume breve.
Palavras que muito amei,que talvez ame ainda.
Elas são a casa, o sal da língua.
Eugénio de Andrade – Poeta Português
março 24th, 2009 at 23:37
Carmen, gosto muito dos poemas do Eugénio. Aliás, interessante notar a quantidade de ótimos poetas portugueses em atividade: deve ser o fator histórico, não? abraços, Pedro
março 24th, 2009 at 23:48
Pedro, querido amigo, obrigada duplamente!
Pelo comentário e carinho do reenvio.
E sabes que não conhecia este Poeta?
Conheci através de leituras no Projeto Valise e de uma aula-conversa com Aqueiva, desde então, tenho buscado muito os seus Poemas.
A Poesia de Eugénio de Andrade, me chegou feito um fado, uma renda, uma casa de imagens com certeza…
E a Foto anuncia isso, a mim, revela o sal da Vida um tempero da linguagem, uma cortina a eternizar mundos!!!
Abraços
Carmen Silvia Presotto
março 24th, 2009 at 23:54
Hey Ricardo, querido Companheiro!
Que bela foto para eternizar este Poema.
Eugénio de Andrade, esteja onde estiver, deve estar sorrindo às frestras de sua Casa Poesia, hoje também co-habitada pela linguagem das flores…
Valeu!
Abraços,
Carmen Silvia Presotto
maio 17th, 2009 at 21:25
Queria felicitar-vos pela qualidade e originalidade do vosso blogue.
Quanto a Eugénio de Andrade, é um dos meus poetas portugueses favoritos, de tal maneira que resolvi há cerca de um ano lhe dedicar um blogue onde todos os dias coloco um poema seu, e que convido vocês a visitarem (www.saldalingua.wordpress.com).
Boas leituras!
Raquel Agra