quando a Poesia vê
“QUEM NÃO LÊ, NÃO VÊ”
por Tânia Du Bois

Numa roda de chimarrão, com a família, conversando sobre poemas, Fátima Piccinini disse ao Pedro, “Eu não leio a sua poesia, eu a vejo.” Max Martins escreveu:
“Tu que me lês
tu me vês
(talvez)…”
Você já pensou nisso? O novo está sobre a poesia em todo o tempo do mundo. Ao “ver” um poema é possível ler cada detalhe. Ele se ilumina, tornando tudo perfeito. Afinal, você sabe, o poema não combina com qualquer “roupa”, nem com qualquer “festa”, nem com qualquer olhar. Ele apresenta uma linha exclusiva e completa, para que possa emocionar todos os leitores; os momentos de sua vida, da sua família e dos seus amigos, tornando ainda esse encontro mais especial. Ele surpreende!
E por falar em surpresa, ou talvez coincidência, nesse mesmo dia tive grande emoção ao abrir o pacote remetido pela amiga Amélia Simões Schwertner, de Santiago, RS, contendo jornal e livros referentes à 11ª Feira do Livro, cujo slogan foi “Quem não lê, não vê”, como forma de divulgar aquele município, valorizando os formadores da nossa cultura através das suas produções literárias.
No jornal, Eliani Bitencourt escreveu, “Ler é saber… Ler é trocar… Ler é receber… Ler é comparar… Quem lê percebe o mundo e as coisas em dimensões diferentes, em outro patamar de interação e consciência”.
Com os livros em mãos, chamou-me a atenção, imediatamente, o de Lise Fank e o do Caio Fernando Abreu. O da Lise com poemas onde destaca a harmonia entre o significado e o significante, como:
“Construí minha casa
plantei árvores
Gerei filhos.
E o livro?
Basta-me sabê-lo
em páginas soltas
que viajam por aí
semeando poesias
e me trazendo respostas
num convite a prosseguir”.
O de Caio Abreu, cita: “Mas não é mais o tempo de solidez: a literatura tem que ser de transição, como o tempo que nos cerca. Temos pouco tempo para a leitura, pouco espaço para a poesia, não temos a atenção merecida. Tudo é muito amargo e triste”.
E como disse Monteiro Lobato, “Quem não lê, mal ouve, mal fala, mal vê”. E Max Martins reforça: “O livro nos lê… torna a palavra visível… Um dia a poesia mostrará aos homens o seu rosto. Só o leitor é real. Num poema, o eco é tão importante quanto o silêncio… O poeta dá à obra o seu nome. O leitor, a sua imagem”.