Ensaio sobre a lucidez

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Foto: 老龟 Yi Wu, “O”, Xilin.Yunyang.ChongQing.重庆.云阳

Ensaio sobre a lucidez
Domingos da Mota

Falo de velho: «ab ovo»,
velho sem posteridade
que nasceu um nado-morto
ou foi tão-só um aborto,

um velho assim, sem idade.
Falo de velho de novo
e que atinge a novidade
mal se quebra a casca d’ovo.

Falo de velho com dor,
dói acolá, dói aqui,
como se fosse um tenor
desde o dó até ao si.

E digo até desse velho,
um velho sereno e sábio,
biblioteca, conselho,
que pode ser alfarrábio.

(Todos os velhos de agora,
todos os velhos futuros
foram novos: e hora a hora
lá cairão de maduros).

Posso falar de cegueira
e também de estupidez
e chegar, ficar à beira
de perder a lucidez.

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