poesia em movimento

Foto:Elizabeth Opalenik, Poetry in Motion.
XXII – VEM
Chimarrita, Chimarrita,
Chimarrita, meu amor,
por causa da Chimarrita
passo tormentos de dor.
Vem, aqui me tens caída
para te saberes forte
meu cair de te criar.
Vem, não nos pensamentos, mas na tua sede
teus pensamentos passam, mas não a sede de estar em mim
tua sede de abismar.
Vem, não me tragas tua fartura, mas a fome
não o teu ser pleno, mas o vácuo teu de me acolher
mas a voz se abrindo em chamas de me chamar.
Para chegar a mim atravessarás ondas e rios
e ferirás os pés em pregos, espinhos
para chegar a mim.
Para chegar a mim cortarás sombras milenares
e as distâncias dos campos sem limites
para chegar a mim.
Para chegar a mim afrontarás abismos
nevascas e chuvas
para chegar a mim.
Para chegar a mim te emaranharás em ausências
não de outros mas de mim ausentadas
para chegar a mim.
Donaldo Schüler, Chimarrita pag.71,72, Editora Movimento, 1985.






