os adormecidos

Foto: Kiem Tang, ••• Don’t let the words hurt you.
Os adormecidos
Nem um só mapa registra
A rua de dois adormecidos.
Nós perdemos sua pista.
Jazem como se submersos
Em imutável luz azul,
Aberta, a porta de vidros.
Com laços de fita amarela.
Por esta fresta penetra
Odores de terra úmida.
A lesma deixa um rastro prata;
Negras sebes cercam a casa.
Então olhamos para trás.
Morte feito pétalas lívidas
Entre folhas de formas tesas
Eles dormem, boca a boca.
Um névoa branca esvoaça.
Suspiram narinas mínimas,
E eles reviram em seu sono.
Longe daquele leito ameno
Somos um sonho que eles sonham.
Suas pálpebras retêm sombras.
Nada vai lhes acontecer.
Trocamos a pele e nos movemos
Dentro de um outro tempo.
Sylvia Plath, Poemas, Organização e Tradução de Rodrigo Garcia Lopes e Maurício Arruda Mendonça, Iluminuras.





