maio 18th, 2009 in Poemas, Receitas de Poetas, Versos que Conversam | No Comments »
EL PUENTE

Para cruzalo o para no cruzarlo
ahí está el puente
en la otra orilla alguien me espera
con un durazno y un país
traigo conmigo ofrendas desusadas
entre ellas un paraguas de ombligo de madera
un libro con los pánicos en blanco
y una guitarra que no sé abrazar
vengo con las mejillas del insomnio
los pañuelos del mar y de las paces
Ias tímidas pancartas del dolor
las liturgias del beso y de la sombra
nunca he traído tantas cosas
nunca he venido con tan poco
ahí esta el puente
para cruzarlo o para no cruzarlo
yolIo voy a cruzar
sin prevenciones
en la otra orilla alguien me espera
con un durazno y un país
Mario Benetti, De Preguntas al azar – 1984-1985
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maio 18th, 2009 in Crônicas, Versos que Conversam | No Comments »
O Tempo e o Vento
a Erico Verissimo
Havia uma escada que parava de repente no ar
Havia uma parte que dava para não sabia o quê
Havia um relógio onde a morte tricotava o tempo
Mas havia um arroio correndo entre os dedos buliços dos pés
E pássaros pousados na ponta dos fios de telégrafos
E o vento!
O vento que vinha desde o princípio do mundo
Estava brincando com teus cabelos.
Mario Quintana.

Arte Américo Conte
É!Erico e Quintana, estejam onde estiverem, devem estar sorrindo…
Pois, suas memórias nunca foram tão confabuladas quanto agora!
Quando leio as notícias, fico matutando sobre o porquê de tantas escaramuças com os papéis históricos destes Titãs literários?
No entanto, parece que já está decidido que o Acervo de Erico Veríssimo seguirá para o Rio, no Instituto de Artes Moreira Sales e que logo, Quintana, deve lhe avizinhar.
Então, por tudo que lemos e viemos vivendo, sigo minha indagação: será que precisamos revalidar antigas rixas, tipo: mas não os queriam na Academia, não os queriam aqui ou ali, e isto ou aquilo?
E na verdade, sorrio, porque suas míticas mãos, parecem possíveis de acabar com o fronteiriço ranço bairrístico, já que esses translados, além de abanarem a poeira do tempo e o vento e do mapa da cidade, ainda recolocam as Leituras de Erico Veríssimo e Mario Quintana como evidência a assinalar, que mais do que Seres Gaúchos, suas Obras são do Povo Brasileiro, Universais e Eternas.
Então, que toda essa História sirva a outras histórias que cuidam, zelam e protegem os Livros, patrimônio da Humanidade, porque assim como Erico, Quintana, há muitos tijolos invisíveis, construtores de futuros, sendo devorados por fuligem, umidade, corrosões, quando desejariam seguir devorados por um povoado de olhos que leem, escutam e transformam tempos em produção.
Parabéns aos familiares e a todos, que neste processo, cuidaram e cuidam, zelam e compartem a Arte !!!
Carmen Silvia Presotto.