Archive for junho 3rd, 2009

poema publicado – projeto valise

Subterfúgios

por CARMEN SILVIA PRESOTTO

shwidkiy-andrey

rios de olhos

me contam gotas

nada, nada, nada

diz a menina dos dias

e feito remo

derivo meus braços a palavras

um mar navegável a todas as marés

:

poemar

ao tempo um colírio

na carne

chagas invisíveis

e para não me afogar de mim mesmo

nado, nado, nado

quando mais fácil seria saltar

:

trampolim

lembro um conto árabe

retiro a cabeça d’agua

para que outro ar seja minha margem

e nado, nado, nado…

.

(* *)__(* *)__(* *)__(* *)__(* *)

iMAGEM: Shwidkiy Andrey

Um Abraço Aqueiva, obrigada pela publicação.
Leiam mais poemas em http://aqueiva.wordpress.com/

prefácio ao vivo

prefacio2

Mais no Link:
www. prefacioaovivo.blogspot.com

o poema

O Poema

A tinta e a lápis
escrevem-se todos
os versos do mundo.

Que monstros existem
nadando no poço
negro e fecundo?

Que outros deslizam
largando o carvão
de seus ossos?

Como o ser vivo
que é um verso,
um organismo.

com sangue e sopro,
pode brotrar
de germes mortos?

.

O papel nem sempre
é branco como
a primeira manhã.

É muitas vezes
o pardo e pobre
papel de embrulho;

é de outras vezes
de carta aérea
leve de nuvem.

Mas é no papel,
no branco asséptico,
que o verso rebenta.

Como um ser vivo
pode brotar
de um chão mineral?

João Cabral de Melo Neto
O cão sem plumas,pag. 89,90, Editora ALFAGUARA.