alívio

Alívio
A manhã
é o alívio.
É o abajur apagado.
A poltrona branca
no mesmo lugar.
É o acordar azul
no mesmo quarto
que esperou
a noite passar
e não se mexeu.
Taís Guimarães – livro Pele, pg. 61.

Alívio
A manhã
é o alívio.
É o abajur apagado.
A poltrona branca
no mesmo lugar.
É o acordar azul
no mesmo quarto
que esperou
a noite passar
e não se mexeu.
Taís Guimarães – livro Pele, pg. 61.

“…. Na poesia e em outros domínios adquirimos a idéia de que não existe vanguarda, no sentido de que a vanguarda traz algo melhor do que aquilo que havia antes. Talvez a idéia pós-moderna consista em afirmar que o novo não é necessariamente o melhor. Fabricar o novo pelo novo é estéril. O problema não reside na produção sistemática e forçada do novo. A verdadeira novidade nasce sempre de uma volta às origens. Por que Jean-Jacques Rosseau é tão prodigiosamente novo? Porque pretendeu debruçar-se sobre a fonte da humanidade, a origem da propriedade e da civilização e, no fundo, toda a novidade deve passar pelo recurso e pelo retorno ao antigo. Pode ser que essa idéia seja pós-moderna, ou mesmo pós-pós-moderna, mas tudo isso é secundário.
O objetivo que permanece fundamental na poesia é o de nos colocar num estado segundo, ou, mais precisamente, fazer com que esse estado segundo converta-se num estado primeiro.
O fim da poesia é o de nós colocar em estado poético.”

Edgar Morin, pag.35, Amor Poesia Sabedoria, Bertrand.
Vidráguas às mãos que, ao escrever, se inscrevem!!!

Os autores que estarão autografando no dia 1º de agosto, a partir das 11h30, no Instituto Cultural Brasileiro Norte Americano, à Rua Riachuelo, 1257, são integrantes da 39a. Oficina de Criação Literária do Curso de Pós-Graduação da Faculdade de Letras da PUC/RS.

Foto: Jason Evans, Smash Babylon Mind Control, 2005.
Estilo: Simon Foxton
Cogumelos
Varando a noite, com
Brandura, brancura,
Silêncio absoluto,
Do artelho aos
narizes
Tomamos posse da
argila
E do ar adquirido.
Ninguém nos avista,
Nos detém, nos
agride;
Evadem-se os
grãozinhos.
Punhos suaves
insistem
Em brandir agulhas,
O recheio folhudo,
Até o calçamento.
Nossos martelos,
marretas,
Sem olhos e ouvidos,
De voz nem um fio
Alargam as gretas,
Ombro abrindo
fendas. Nós
Vivemos a pão e água,
Migalhas de sombra,
Com modos afáveis,
Inquirindo pouco ou
nada.
São tantos de nós!
São tantos de nós!
Somos estantes,
somos
Mesas, somos
humildes,
Somos comestíveis,
Aos trancos e
arranques
Apesar de nós
mesmos
Nossa espécie se
expande:
Pela manhã, havemos
De herdar o planeta.
E nosso pé porta
adentro.
Sylvia Plath

Quando as sombras se iluminam
tua luz em meu peito
- flores espelhadas -
abraça o eterno
horizonte
que com Arte me revestes…
Carmen Silvia Presotto