Archive for julho, 2009

alívio

Henri Matisse Woman reading

Alívio

A manhã
é o alívio.
É o abajur apagado.
A poltrona branca
no mesmo lugar.

É o acordar azul
no mesmo quarto
que esperou
a noite passar
e não se mexeu.

Taís Guimarães – livro Pele, pg. 61.

Onde se encontra a Poesia hoje?

amor...
“…. Na poesia e em outros domínios adquirimos a idéia de que não existe vanguarda, no sentido de que a vanguarda traz algo melhor do que aquilo que havia antes. Talvez a idéia pós-moderna consista em afirmar que o novo não é necessariamente o melhor. Fabricar o novo pelo novo é estéril. O problema não reside na produção sistemática e forçada do novo. A verdadeira novidade nasce sempre de uma volta às origens. Por que Jean-Jacques Rosseau é tão prodigiosamente novo? Porque pretendeu debruçar-se sobre a fonte da humanidade, a origem da propriedade e da civilização e, no fundo, toda a novidade deve passar pelo recurso e pelo retorno ao antigo. Pode ser que essa idéia seja pós-moderna, ou mesmo pós-pós-moderna, mas tudo isso é secundário.
O objetivo que permanece fundamental na poesia é o de nos colocar num estado segundo, ou, mais precisamente, fazer com que esse estado segundo converta-se num estado primeiro.
O fim da poesia é o de nós colocar em estado poético.”

edgar_morin

Edgar Morin, pag.35, Amor Poesia Sabedoria, Bertrand.

desAMORdaçados, mais uma coletânea nas ruas, participem

Vidráguas às mãos que, ao escrever, se inscrevem!!!

convitedesamor

Os autores que estarão autografando no dia 1º de agosto, a partir das 11h30, no Instituto Cultural Brasileiro Norte Americano, à Rua Riachuelo, 1257, são integrantes da 39a. Oficina de Criação Literária do Curso de Pós-Graduação da Faculdade de Letras da PUC/RS.

cogumelos

SBMC_2
Foto: Jason Evans, Smash Babylon Mind Control, 2005.
Estilo: Simon Foxton


Cogumelos

Varando a noite, com
Brandura, brancura,
Silêncio absoluto,

Do artelho aos
narizes
Tomamos posse da
argila
E do ar adquirido.

Ninguém nos avista,
Nos detém, nos
agride;
Evadem-se os
grãozinhos.

Punhos suaves
insistem
Em brandir agulhas,
O recheio folhudo,

Até o calçamento.
Nossos martelos,
marretas,
Sem olhos e ouvidos,

De voz nem um fio
Alargam as gretas,
Ombro abrindo
fendas. Nós

Vivemos a pão e água,
Migalhas de sombra,
Com modos afáveis,

Inquirindo pouco ou
nada.
São tantos de nós!
São tantos de nós!

Somos estantes,
somos
Mesas, somos
humildes,
Somos comestíveis,

Aos trancos e
arranques
Apesar de nós
mesmos
Nossa espécie se
expande:

Pela manhã, havemos
De herdar o planeta.
E nosso pé porta
adentro.

Sylvia Plath

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flores da lua

starry-1

Quando as sombras se iluminam
tua luz em meu peito
- flores espelhadas -
abraça o eterno


horizonte
que com Arte me revestes…


Carmen Silvia Presotto