Archive for julho 12th, 2009

conversando sobre poesia…

Enquanto fazemos poesia
por Antonio Cicero

UMA VEZ PARTICIPEI de uma mesa redonda em Póvoa de Varzim, no norte de Portugal, em que se discutiu a proposição “Enquanto fazemos poesia não partimos”. Trata-se de uma sentença de Hermann Broch, que se encontra no romance “A Morte de Virgílio”. Mas ela foi apresentada fora do seu contexto, de modo que cada qual pudesse interpretá-la como quisesse, quer para defendê-la, quer para criticá-la. O importante era que essa interpretação pessoal revelasse algo da concepção de poesia de cada um. Foi, de fato, o que ocorreu.

Quanto a mim, concordo com a tese de que “enquanto fazemos poesia não partimos”. Consultando o contexto em que essa frase se encontra, percebe-se que Broch lamentava o fato de não partirmos quando fazemos poesia, como se dissesse: “Quando fazemos poesia, não chegamos a partir”. Para ele, o importante era partir. Pois bem, penso, ao contrário, que o fato de não partir é exatamente o que faz da poesia o que ela é: uma das dimensões insubstituíveis e, segundo penso, supremas, da experiência humana. Na verdade, creio que não é somente quando fazemos poesia, mas, principalmente, quando a lemos, que não partimos.

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