desafio, um Poema de Américo Conte

Desafio
desafio

Naquela pitangueira
na barranca do rio,
uma cigarra cantava estridente
como que a lançar um desafio.

Então peguei da viola
e comecei a pontear,
ela acirrou sua cantiga
a fim de me provocar.

Me desdobrei nos acordes
os dedos vibravam a solar,
o sol a espiar do poente
até retardou o seu nanar.

E encantado com o quadro,
com esmero resolveu participar
pincelando o céu de exuberantes cores
para nosso palco enfeitar.

Uma fagueira brisa soprava
fazendo a água do rio marolar,
onde os pássaros voando rasantes,
de lambaris, estavam a se empanturrar,
que inocentes vinham à tona
a cantilena apreciar.

Eu, bastante entusiasmado
não desistia de tocar,
e a cigarra muito menos,
tentava me sobrepujar.

Tanto se esforçou o bicho
até suas costas arrebentar,
foi o fim daquele embate,
eu venci, não vou negar.

Fiquei com pena da coitada
que lutou até se estrepar,
no entanto, vi que da rachadura
se retirou apressada a voar,
deixando no tronco a sua capa
como o troféu que mereci ganhar.

Porém, como não sou soberbo
uma revanche resolvi lhe dar,
no entanto, na pitangueira
ela não mais voltou a cantar.

Não sei se foi por vergonha,
compadre, isso é tão natural
ou por receio de que
outro rombo nas costas
lhe pudesse ser fatal.

Américo Conte, Poeta e Artista Plástico

uma resposta para “desafio, um Poema de Américo Conte”

  1. Pedro Du Bois Says:

    Querida amiga,

    lindo!! Gosto muito dos poemas de Américo Conte. Um VIVA a você!

    Beijos,
    Tânia

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