desafio, um Poema de Américo Conte
Desafio

Naquela pitangueira
na barranca do rio,
uma cigarra cantava estridente
como que a lançar um desafio.
Então peguei da viola
e comecei a pontear,
ela acirrou sua cantiga
a fim de me provocar.
Me desdobrei nos acordes
os dedos vibravam a solar,
o sol a espiar do poente
até retardou o seu nanar.
E encantado com o quadro,
com esmero resolveu participar
pincelando o céu de exuberantes cores
para nosso palco enfeitar.
Uma fagueira brisa soprava
fazendo a água do rio marolar,
onde os pássaros voando rasantes,
de lambaris, estavam a se empanturrar,
que inocentes vinham à tona
a cantilena apreciar.
Eu, bastante entusiasmado
não desistia de tocar,
e a cigarra muito menos,
tentava me sobrepujar.
Tanto se esforçou o bicho
até suas costas arrebentar,
foi o fim daquele embate,
eu venci, não vou negar.
Fiquei com pena da coitada
que lutou até se estrepar,
no entanto, vi que da rachadura
se retirou apressada a voar,
deixando no tronco a sua capa
como o troféu que mereci ganhar.
Porém, como não sou soberbo
uma revanche resolvi lhe dar,
no entanto, na pitangueira
ela não mais voltou a cantar.
Não sei se foi por vergonha,
compadre, isso é tão natural
ou por receio de que
outro rombo nas costas
lhe pudesse ser fatal.
Américo Conte, Poeta e Artista Plástico
julho 23rd, 2009 at 20:21
Querida amiga,
lindo!! Gosto muito dos poemas de Américo Conte. Um VIVA a você!
Beijos,
Tânia