ao dia do Escritor, vidráguas…
RETRATO DAS LEITURAS
por Tânia Du Bois
No Brasil, desde 1960, o dia 25 de julho é lembrado como o Dia Nacional do Escritor.
Ler é dar significado à vida. Escrever é um dom. Viva aos escritores!
Só podemos escrever sobre o que conhecemos bem e, talvez, sobre o que gostamos. Mas para isso é necessário adquirir o hábito da leitura.
O poeta Lucchesi pergunta: “Em um país onde a leitura ainda não é um hábito enraizado e pouquíssimos profissionais conseguem viver da escrita, o que se tem para comemorar?”.
A pergunta fica no ar… Dilema interessante, até desafiador, que por certo indica não existir nenhuma fórmula mágica que diga como se deve ler. E isto provoca o desencontro entre o leitor e o escritor.
Manoel de Barros mostra-nos uma das formas de encontro: “se uma palavra me excita eu busco no dicionário a existência ancestral dela. Nessa busca descubro motivos para o poema”.
Não entender é sempre um risco; é preciso ler o sentido da obra, percebendo o sentido da literatura.
Ler é captar a mensagem. Se essa sintonia se estabelecer entre o leitor e o escritor, algo de mágico acontece. O desejável seria contribuir para que o leitor se familiarizasse com os textos, com a finalidade de haver seu encontro com obras de boa qualidade. E quem sabe vir a adquirir o hábito da leitura.
“O bom leitor, lê. Quanto mais participar do livro, melhor leitor será”, segundo Marina Colassanti.
Para Rubem Fonseca, se um texto não captura o leitor, então o autor fracassou e, com certeza, não será o prefácio que irá salvar o momento perdido. Porém, Fonseca está sempre buscando uma relação com o leitor, uma cumplicidade. Segundo José Onofre, “Rubem Fonseca não usa prefácios ou posfácios nas suas obras. Só vale o texto literário que ele publica. Não há orelhas e texto de última página.”.
Lucchesi ressalta que “os livros ainda são vistos como algo chato e não como algo que permite uma nova visão do mundo”.
Mirisola alerta que “se o leitor tentar escapar a penalidade vem rápida e mortífera, vai para a vala comum dos imbecis, a quem resta fazer uma listinha de supermercado.”.
Milton Hatoum diz que “a função da literatura na vida cotidiana de cada uma é alimentar a alma. Ela nos conduz ao conhecimento de nós mesmos e dos outros”.
Martha Medeiros reforça que “a função da literatura é ajudar o leitor a escrever melhor. Estimular a fantasia e o término dos preconceitos. Com a literatura podemos vivenciar…”.
Percebo no retrato das leituras, em união com os escritores, que a possibilidade de significados da linguagem não tem limite; o que temos são obras, muitas obras…
É no uso da palavra que o livro tem significado especial na literatura. Mas também é especial a força do leitor, que sozinho inventa uma realidade superior. O hábito de ler gera a visão do universo, das coisas, em tudo que tenha em si a concretude da existência.
Nesse sentido, temos poucos leitores e várias razões que levam as pessoas a não ler. Deixo no ar a questão, retratando as leituras: “o brasileiro lê pouco por que o livro é caro, ou o livro é caro por que o brasileiro lê pouco?”. Ou teria razão o poeta Max Martins ao escrever:
“Caço a palavra. Caço-me / na palavra ato-me / à palavra.
E me desato suniato-me sumo / na sombra do silêncio / da palavra?”






