aos 103 aniversários de Mario Quintana, Vidráguas!
Impossível escolha
a Mario Quintana
Ora bolas, como dizia o poeta…
Se escolhesse o dia de minha morte
seria um ensolarado domingo de outono.
Alegre, morno, brando, aninhado a folhas de plátanos
douradas, atapetando o chão que me abrigaria.
Se escolhesse o dia de minha morte
seria um esvoaçante cobertor sem dor por partir.
Um dia em que os pássaros e as borboletas
brincassem no céu.
Um dia em que o sol vibrasse por novos horizontes.
Um dia feito piquenique com toalha xadrez
cesto de vime e cálices de vinho.
Um dia em que o findar não encontrasse a noite.
Um eterno dia…
Se escolhesse o dia de minha morte
seria um dia trocado.
Um dia impossível de escolhas.
Talvez um Domingo chuvoso, abafado.
Ou uma Sexta-Feira que me acordasse no Domingo.
Cristo!
Quem sabe não morro…
Ora bolas!
Carmen Silvia Presotto, pag.50, Dobras do Tempo.





