agosto 5th, 2009 in Crônicas, Receitas de Poetas | No Comments »
Poesia numa hora dessas?
Peguei emprestada a expressão que o Verissimo usa para apresentar seus poemas. É que eu quero falar justamente sobre poesia, um assunto que me parece emergencial, apesar de que tudo leve a crer que não é o momento. Gente morrendo por causa da gripe H1N1, o Sarney e seu “daqui não saio, daqui ninguém me tira”, e ainda por cima o Fernandão indo jogar no Goiás. Francamente: poesia numa hora dessas?
Leiam toda a crônica
Read more »
agosto 5th, 2009 in Poemas, Versos que Conversam | No Comments »
Cleópatra

Cleópatra
Os palácios de Alexandria
Cobriram-se de sombras suaves.
PÚSCHKIN
Ela já beijara os lábios de Antônio, sem vida,
E chorava, de joelhos, ante Augusto, vencida…
E os servos a traíram. Sob a águia de Roma
As trombetas ressoam. E o crepúsculo assoma.
E chega o último escravo de sua beleza,
Alto e solene, num sussurro, ele pondera:
“Vão te levar para ele… em triunfo… como presa…”
Mas a curva do colo do cisne não se altera.
Amanhã acorrentarão seus filhos. Pouco lhe resta:
Brincar com este rapaz até perder a mente
E, de piedade, a víbora negra – último gesto –
Depor no peito moreno com a mão indiferente.
Anna Akhmátova – Tradução de Augusto de Campos, pag.176, Poesia Russa Moderna, Editora Perspectiva.