ao dia dos pais, sempre Poesia…
Dia dos Pais
Feliz és tu
que não precisas fechar os olhos
para encontrar teu pai.
Ele abre o jornal
quando abres a porta.
Teu pequeno Atlas
tem o mundo em suas mãos.
Deixa de lado
a lufada dos fatos
e vêm ao teu encontro.
Abraço de mãe
é travesseiro.
E árvore o pai.
A gente sempre fica
com algumas palavras
trancadas na garganta.
O pai não quer arroubos
nem proclamas.
A roupa do pai tem
tantos bolsos.
É neles que guarda
pequenas humilhações
e desditas.
Mas em seu olhar brilha
um grande sonho.
Um mundo melhor para seu filho.
Às vezes dá vontade
de dizer ao pai
que nós também pisamos o barro,
sujamos a alma e os sapatos.
Mãe é teto.
Pai é viga.
Há resíduos de nossa infância
em todos os cantos.
Até no cheirinho de água de barba
que vem com seu abraço.
Ele cantava
no chuveiro.
Deixas sob o travesseiro
uma caixa de CDs.
A noite avança,
toca o telefone.
O pai agradece. Ao fundo,
ainda ouves, o som enternecido
de um bolero.
No escuro avalias
o filho que és.
Carece ser mais companheiro,
jantar, ir ao cinema.
Dormes e sonhas
com teu pai.
Chove na manhã de inverno.
E como é bom vir da escola
em seu colo,
os pingos d’agua cantando
sobre o guarda-chuva.
Luiz Coronel





