Archive for agosto 8th, 2009

ao dia dos pais, sempre Poesia…

Dia dos Pais


Feliz és tu
que não precisas fechar os olhos
para encontrar teu pai.


Ele abre o jornal
quando abres a porta.


Teu pequeno Atlas
tem o mundo em suas mãos.


Deixa de lado
a lufada dos fatos
e vêm ao teu encontro.


Abraço de mãe
é travesseiro.
E árvore o pai.


A gente sempre fica
com algumas palavras
trancadas na garganta.


O pai não quer arroubos
nem proclamas.


A roupa do pai tem
tantos bolsos.
É neles que guarda
pequenas humilhações
e desditas.


Mas em seu olhar brilha
um grande sonho.
Um mundo melhor para seu filho.


Às vezes dá vontade
de dizer ao pai
que nós também pisamos o barro,
sujamos a alma e os sapatos.
Mãe é teto.
Pai é viga.


Há resíduos de nossa infância
em todos os cantos.
Até no cheirinho de água de barba
que vem com seu abraço.


Ele cantava
no chuveiro.


Deixas sob o travesseiro
uma caixa de CDs.


A noite avança,
toca o telefone.
O pai agradece. Ao fundo,
ainda ouves, o som enternecido
de um bolero.


No escuro avalias
o filho que és.


Carece ser mais companheiro,
jantar, ir ao cinema.


Dormes e sonhas
com teu pai.


Chove na manhã de inverno.
E como é bom vir da escola
em seu colo,
os pingos d’agua cantando
sobre o guarda-chuva.


Luiz Coronel