Archive for outubro 25th, 2009

Um amigo é às vezes o deserto, poema de Eugénio de Andrade

eugenio_andrade

Um amigo é às vezes o deserto,
outras a água.
Desprende-te do ínfimo rumor
de agosto; nem sempre


um corpo é o lugar da furtiva
luz despida, de carregados
limoeiros de pássaros
e o verão nos cabelos;


é na escura folhagem do sono
que brilha
a pele molhada,
a difícil floração da língua.


O real é a palavra.

Eugènio de Andrade

leia mais sobre o autor e seus poemas:
http://saldalingua.wordpress.com/

Read more »

NADA

Nada somos
sem as tragédias
diárias: ínfimas
apequenadas
quase nada diante do despropósito.

Diariamente nos destruímos
em sobrevivências
e afagamos animais
estimados. Choramos
nossas crianças. Cultivamos
crenças destinadas ao ocaso.

(Pedro Du Bois, inédito)

outros poemas:
http://pedrodubois.blogspot.com
http://valeemversos.blogspot.com