lendo…uma porta se abre, Vidráguas ao Livro!

Uma porta se abre
lendo...

Intrigante
Fechei os livros, mas continuam as minhas leituras.
Leio nuvens rabiscando céus, pássaros desenhando o horizonte,
árvores dançando com o vento.

Leio uma mistura de gente, piscar de olhos.
Leio loiros, ruivos, morenos, homens, mulheres.
Leio raças. Leio sexos.

Degusto a vida estendida sob meus olhos.
Matizo essa grande aquarela e coloco uma foto minha
na capa do livro.
Nele me vejo tão diferente.
Encontro nas entrelinhas um espelho, o qual me escancara
sua campainha presa na garganta.
Aciono-a: Há alguém em casa?
Nada!

leia toda a crônica


E quando uma porta fechada se abre, abro mais a boca:
- genoma!

Intrigante!
Lerei meu mapa astral, lerei meu mapa genético, outros me
lerão enquanto um eu teimoso ainda se esconde de mim.
Surpreendente sujeito que me faz sonhar e recordar.
Sorrateiro passado que vive em busca de quem sou.

Intrigante!

Sei que a ciência pode me transformar em Cinderela e
Andróide.
No entanto, um eco sussurra-me que os tempos mudaram…
Acordo com os cataclismos!
Não posso construir castelos na areia. Os ventos varreram
todos esses desejos para o deserto e por mais que tente,
nada, nem mesmo bisturis, farão eu voltar ou escapar do
Senhor Eu que me movimenta.

Intrigante!

Cadencio emoção com pensamento para deslizar no túnel
que vejo através do peito e então me leio: nome próprio
com mapa astral com mapa genético com genoma com
identidade.
Números, registros e funções, palavras soltas ou
codificadas que abrem a porta para sair o que/ quem sou.

E leio…

Carmen Silvia Presotto, Dobras do Tempo-2001.

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