Archive for novembro, 2009

flutuações…

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Água
e logos
nos lançam no irreal
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absurdas somos mais
que uma voz
- neve dos sonhos -
descongelando em Dresden,
somos as flutuações…

Poema:Carmen Silvia Presotto
Foto:Júlia Presotto, Zwinger, Dresden-2009.

um encontro interessante

lingua literatura e intermidialidade

mais informações:www.ulbra.br/extensão

sobre o gesto, um poema ao domingo

SOBRE O GESTO

Além do gesto, senhora, a importância
decide a vida. Estrangula o choro,
refaz o sentido.

Senhora, o choro retrai
a angústia em restante medo.

Fosse o sono a dedilhar
a corda imensurável da música
de fundo, senhora. O choro
é o carrilhão desabalado do relógio
ao findar da corda.


(Pedro Du Bois, inédito)

outros poemas:

http://pedrodubois.blogspot.com

pensando a poesia com Edgar Morin

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Ensaiarei sustentar a seguinte tese: o futuro da poesia reside em sua própria fonte. Mas que fonte é essa? É difícil perceber. Ela se perde nas profundezas humanas tanto quanto nas profundezas da pré-história, onde surgiu a linguagem, nas profundezas dessa embalagem estranha que é o cérebro e o espírito humano. Gostaria de adiantar algumas idéias preliminares para falar da poesia.

Inicialmente, é preciso reconhecer que, qualquer que seja a cultura, o ser humano produz duas linguagens a partir de sua língua: uma, racional, empírica, prática, técnica; outra, simbólica, mítica, mágica. A primeira tende a precisar, denotar, definir, apóia-se sobre a lógica e ensaia objetivar o que ela mesma expressa. A segunda utiliza mais a conotação, a analogia, a metáfora, ou seja, esse halo de significações que circunda cada palavra, cada enunciado e que ensaia traduzir a verdade da subjetividade. Essas duas linguagens podem ser justapostas ou misturadas, podem ser separadas, opostas, e a cada uma delas correspondem dois estados. O primeiro, também chamado de prosaico, no qual nos esforçamos por perceber, raciocinar, e que é o estado que cobre uma grande parte de nossa vida cotidiana. O segundo estado, que se pode justamente chamar de “estado segundo”, é o estado poético.

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visita, um poema de Léopold Sédar Senghor

VISITA
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Na escassa penumbra da tarde,
sonho.
Vêm me visitar as fadigas do dia,
os defuntos do ano, as lembranças da década,
como uma procissão dos mortos daquela aldeia
perdida lá no horizonte.

Este é o mesmo sol, impregnado de miragens
o mesmo céu que presenças ocultas dissimulam
o mesmo céu temido daqueles que tratam
com os que se foram

Eis que a mim vêm os meus mortos.

Léopold Sédar Senghor (1906—2001)

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