e por desfolhar-me é que não tenho fim
Video: Nick Knight – www.showstudio.com
I
a Cecília Meireles
Tuas memórias
vibram em cada pétala
que feito um dedo em flor
me pincela espinhos
Em tuas teias
aquarelas
cristalina e sonoras
ramo de rosa poética
me emolduro
e por desfolhar-me é que não tenho fim...
II
Enquanto na janela voam neurônios
nas folhas, feito persiana de rua
tudo em nada me esvazia
amanhece
entardece
anoiteço
meus olhos engolem o pólen da primavera
e enverdeço a sombra do tempo…
Carmen Silvia Presotto