Archive for dezembro 4th, 2009

Ferreira Gullar e Elisa Lucinda entre-vistas e voz, imperdíveis!!!

Ferreira Gullar, a poesia que nasce do espanto

Durante um encontro com a poeta e atriz Elisa Lucinda, na Casa Poema, no Rio de Janeiro, o poeta Ferreira Gullar, nos concedeu uma descontraída entrevista, onde falou, entre outras coisas sobre arte, e a sua arte específica , a poesia, que passou por mudanças notáveis ao longo do anos. “Porque você vai descobrindo outras coisas, indagando outras coisas, e isso se reflete no modo de fazer poesia.”

Uma das vozes mais importantes da arte brasileira, Ferreira Gullar é um exemplo de vigor intelectual – é crítico de arte, poeta, tradutor, biógrafo, memorialista e ensaísta. Aos 79 anos, numa trajetória que atravessa momentos decisivos da formação da nossa cultura, Gullar ainda permite se espantar com o dia-a-dia. A gênese da obra do poeta está nas surpresas que a vida reserva.



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coador poético

de pó em palavra: COADOR
por Tânia Du Bois

lavrador-de-cafe

De pó:
os grãos de café passam por seleção eletrônica e, em seguida, por uma escolha manual, onde o café é selecionado no intuito de certificar-se a sua qualidade. Este é o segredo do café. A Internet também é um coador que seleciona escritores e textos. Creio que a possibilidade desse refinamento deve-se à visível demonstração de que a literatura continua viva e mantém, talvez por isso, seu progresso cultural de ser e de manifestar-se. A técnica parece buscar a essência da contenção, na medida em que cristaliza na organização dos textos uma expressão de inesperadas significações, como em Márcia Maia:

“não eram meus olhos de bruma / que se refletem
na xícara de café / ora ausentes, ora baços //…”

Em palavra:
ao selecionar vem com um véu, defendendo a palavra, rica e expressiva, nos restituindo a realidade; desmontando a farsa e ainda com a pretensão de ser contundente.

Ela revela talentos. É máquina poderosa, porque constrói “estradas”, com clareza e explicitude, ligando à nova linguagem, concentrada no sentido de revelação do ser. Reúne escritores e harmoniza os leitores pelo exercício de olhar e, nessa variedade, é a influência que diferentes leitores detêm, ou são detidos pelo coador de matérias, desvendando o nível do inusitado e do suposto que, filtrados pela imaginação criadora, ganham novas formas.

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