Ferreira Gullar e Elisa Lucinda entre-vistas e voz, imperdíveis!!!
Ferreira Gullar, a poesia que nasce do espanto
Durante um encontro com a poeta e atriz Elisa Lucinda, na Casa Poema, no Rio de Janeiro, o poeta Ferreira Gullar, nos concedeu uma descontraída entrevista, onde falou, entre outras coisas sobre arte, e a sua arte específica , a poesia, que passou por mudanças notáveis ao longo do anos. “Porque você vai descobrindo outras coisas, indagando outras coisas, e isso se reflete no modo de fazer poesia.”
Uma das vozes mais importantes da arte brasileira, Ferreira Gullar é um exemplo de vigor intelectual – é crítico de arte, poeta, tradutor, biógrafo, memorialista e ensaísta. Aos 79 anos, numa trajetória que atravessa momentos decisivos da formação da nossa cultura, Gullar ainda permite se espantar com o dia-a-dia. A gênese da obra do poeta está nas surpresas que a vida reserva.
Leia todo o artigo
“A minha poesia, costumo dizer, nasce no espanto. Precisa de alguma coisa que me surpreenda – que eu não tenha descoberto ainda na vida, com minha experiência de vida.”, confessa Gullar, defensor da prática da simplicidade na escrita do poema.
“Eu só, realmente, não gosto de uma certa tendência, que às vezes se manifesta, de uma poesia hermética, uma poesia incompreensível. Acho que isso não é um caminho certo. Poesia não é “vou ao mercado comprar banana”. Não é isso. Não é o óbvio. Mas não deve ser uma coisa que a pessoa lê e não compreende.”
Nascido em São Luís do Maranhão, e radicado no Rio de Janeiro desde 1951, José Ribamar Ferreira é um cidadão atuante, político. Atento à educação e à arte, consciente da força de suas palavras, o poeta não poupa críticas ao governo Lula.
“O Brasil corre um risco grave. O Lula, que é um sindicalista, junto com os companheiros de sindicato, está ocupando setores importantes da sociedade – fundos de pensão, as grandes empresas estatais. Eles pretendem ficar no governo para sempre, fazendo uma política de caráter sindicalista, oportunista e demagógica”, afirma.
Antes do término da entrevista, Elisa Lucinda é convidada a ler alguns versos para Ferreira Gullar. O poema escolhido é “Ao rés do chão”, escrito durante o exílio em Buenos Aires, nos anos 1970.
O motivo do encontro? Entre sorrisos, Elisa justifica: “A Escola [Lucinda de Poesia Viva] sempre teve o Gullar como referência. Ferreira é um poeta afinado com o seu tempo. O poeta é o tradutor dos sentimentos humanos, dá testemunho. Gullar é receitado e recitado”. (Ramon Mello)
Leia toda entrevista:
http://www.saraivaconteudo.com.br/Artigo.aspx?id=154