Archive for dezembro 15th, 2009

e o prêmio da Noite da Literatura, vai para A Parede no Escuro

NOITE DA LITERATURA
Açorianos premia melhores livros do ano
Concurso que incentiva os principais segmentos culturais celebrou ontem destaques literários

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Primeiro romance do escritor Altair Martins, A Parede no Escuro, conquistou ontem o Prêmio Açorianos de Literatura 2009 na categoria Livro do Ano, premiado com R$ 10 mil. A mesma obra também levou o título de melhor narrativa longa.

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pensando a poesia com Antonio Cicero

FERNANDO PESSOA E OS MITOS
por Antonio Cicero
* artigo publicado sábado, 13 de dezembro, na coluna da “Ilustrada”, da Folha de São Paulo.

Antonio Cicero por Eucanaã Ferraz

“O MITO é o nada que é tudo”, diz o famoso primeiro verso do poema “Ulisses”, do livro “Mensagem”, de Fernando Pessoa. Em anotação de 1930 que devia ser o esboço do prefácio para a edição projetada das suas obras, ele diz: “Desejo ser um criador de mitos, que é o mistério mais alto que pode obrar alguém da humanidade”.

Essa concepção dos mitos como obras parece-me estar de acordo com a concepção homérica. Na cultura oral primária grega, que desconhecia a escrita, “mythos” se opunha a “epos”. “Epos” (de onde vem “epopeia”, a produção de “epos”) é o discurso que se reitera, como as canções, os provérbios, algumas rezas, os epítetos tradicionais dos heróis ou deuses, e cada palavra individual.

“Mythos” é, ao contrário, o que jamais se reitera, como uma conversa qualquer, isto é, aquilo que se diz sobre alguma coisa. Assim, o mito de Édipo, por exemplo, é simplesmente o que se diz sobre Édipo. Pois bem, o que é que se diz sobre Édipo? Para nós é principalmente o que os poetas disseram sobre Édipo; em primeiro lugar, é o que os maiores poemas sobre Édipo disseram sobre ele: e esses são as peças de Sófocles; em segundo lugar, é o que os outros, como Freud, disseram principalmente a partir do que Sófocles dissera.

Assim também, o mito de Ulisses é principalmente o que dele nos contam os poemas homéricos; o de Hamlet, principalmente o que dele nos conta Shakespeare etc.

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