Archive for dezembro 18th, 2009

pensando a Poesia com Donaldo Schüler

Lugares – o lugar da poesia
Donaldo_Schüler

“Na noite de doze de maio de 2008, Gerald Thomas, em Fronteiras do Pensamento, ensaiou um gesto iconoclasta radical: negando a arte, o pensamento – tudo o que realizou até aqui – propôs a discussão da miséria, da violência, da política partidária. O gesto não é novo. Diógenes, no quarto século a.C., em protesto contra elucubrações verbais, anda, munido de lanterna, pelas ruas de Atenas, à procura de um homem. O cético Sexto, no segundo século da nossa era, investindo contra a especulação, opta por um comportamento empírico. Nietzsche, quebrando as tábuas da lei, derruba, em fins do século XIX, todos os valores. Marcel Duchamp, no início do século XX, envia um vaso de urinar a uma exposição de arte. John Cage reinventa a música com instrumentos danificados. O irreverente Caetano Veloso, no fervor do Movimento Tropicalista, espanta platéias com evoluções inusuais. Gerald Thomas, à tarde do mesmo dia doze, numa entrevista coletiva, perguntado se a poesia seria um antídoto contra a violência, respondeu categoricamente “não”.

Catástrofes esporádicas dessa natureza beneficiam a arte e pensamento, obrigando artistas e pensadores a refletir sobre o que fazem. Declará-las, entretanto, definitivas, seria afirmar o apocalipse. Em lugar do fim catastrófico, escolho a regeneração. Sem poesia, bombas continuarão a enlutar povos oprimidos. Sem poesia, choques armados continuarão a ensanguentar ruas e ruelas nas grandes cidades. Sem poesia, troncos continuarão a fumegar em florestas incendiadas. Populações famintas necessitam mais do que pão para sobreviver. Vivem, como todos nós: de ócio, de religião, de mitos, de sonhos, de amor, de arte… Em lugar de condenar espetáculos teatrais, tratemos de torná-los acessível a todos.

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Leia todo o recorte de leitura do livro: Fronteiras e Confrontos
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um beijo num poema, o beijo num livro

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EXTERIORES


VII
Quero dar um último beijo
um último abraço
e
dizer uma
última vez
que amo

que amo
e que meu amor
exterioriza
o ser distante
que sou.


(Pedro Du Bois, inédito)