janeiro 31st, 2010 in Poemas, Versos que Conversam | No Comments »
A CORREDEIRA ESCUTADA
Buda cansado
Remagrita em silencioso estado
Abre uma pedra
E se fez um rio
Das suas não – palavras
Nestor Lampros
* leiam mais poemas do autor no seu site e novo blog multiarte:
htpp:// caligrafiadoimpossivel.blogspot.com/
www.nestorlampros.com
janeiro 31st, 2010 in Poemas, Versos que Conversam | No Comments »

noite branca
pétalas densas
noturno em alto-mar
Berenice Sica Lamas, Ampulhetas – haikais, editora Casa Verde.
Tela: Paul Jackson Pollock
janeiro 30th, 2010 in Poemas, Versos que Conversam | No Comments »
Pessoa
No fingimento de teus versos
descobri que a língua podia
sentir-me fora de mim.
Eu também quis ser toda gente
e em toda parte traduzir-me.
Sou o outro que fui outrora?
Em meus versos, mais compacto,
o teu sentimento ainda soa.
Poema Pessoa, p. 13 do livro: Viagem, espera de Paulo Neves, Companhia das Letras- 2006
janeiro 29th, 2010 in conversando sobre literatura, Receitas de Poetas, Versos que Conversam | No Comments »
“… o poeta é um fingidor
finge tão completamente
que chega a fingir que é dor
a dor que deveras sente…”

“…A palavra contém dois elementos – esse elemento presentação e o elemento ritmo. Na literatura em prosa, o ritmo é uma consequência e um elemento subordinado. Na poesia inverte-se essa situação, e o ritmo passa a ser o elemento predominante. Assim, num sentido, que é o de que aqui nos servimos, a poesia se opõe à literatura. A poesia parte da emoção, a prosa da inteligência. Por isso não é permitido ser confuso em prosa, a não ser que essa prosa seja poesia. Em poesia a clareza não é necessária, desde que o ritmo o seja.
O ritmo e o sentido – um poema é uma obra literária em que o sentido se determina através do ritmo. O ritmo pode determinar o sentido inteira ou parcialmente. Quando a determinação é inteira, é o ritmo que talha o sentido, quando é parcial, é no ritmo que o sentido se precisa ou precipita. Na tradução de um poema, portanto, o primeiro elemento a fixar é o ritmo.
Três tipos de poetas – poetas de profundeza (pensamento), em que a base inspiracional é uma idéia, uma compreensão, interpretação das cousas; – poetas de construção, em que a base inspiracional é o assunto, isto é, uma cousa vista como um todo composto de detalhes; – poetas de intensidade, em que a base inspiracional é consoante o grau de sensação que uma cousa desperta.
Poetas pensadores – são de três espécies: – aqueles em que o poeta e o personagem estão absolutamente fundidos (Anthero); – aqueles em que o pensamento e a expressão poética d’ ele se acham inteiramente separados, de modo que o pensamento é conscientemente posto em verso, ainda que sendo a natureza artística intensa, em magnífico verso (Goethe em parte); Hugo às vezes; os poetas do século 18; – aqueles em que o pensamento é pensado poeticamente, mas não realizado com perfeito (e artístico) afastamento; nem com fusão modeladora em perfeita arte, do pensamento (Bocage, Wordsworth, Pascoaes).

leia todo o recorte
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janeiro 29th, 2010 in Foto do Dia, Poemas, Versos que Conversam | No Comments »

Lá
almas honestas.
Que raios as partam!
Sangue
em revólver
desassossegos
desnaturados.
Cá
louco um eu.
Lá são interessantes
cá, desapareço.
De lá para cá
a vida sem tragédia é divina comédia.
Lá e cá
loucos e eu
rimos rios de rimas
espumamos.
Num mar de insanas certezas,
ardemos.
Poema: Carmen Silvia Presotto, Encaixes, Vidráguas.
Fotografia: Robert Parkeharrison