Archive for janeiro 2nd, 2010

um sol de fogos, Vidráguas a 2010



Um sol de fogos
no Tâmisa
noite púrpura
labaredas vivas ao ano

Após a meia noite,
quando todos voltavam para casa,
foi possível atravessar a ponte
e ver as luzes da roda gigante
refletir no Tâmisa a nova década que acabara de chegar…

Então,
ziguezagueando
e tictaqueando
que 2010 siga este círculo mágico
entre o Big Ben e nossos corações.

Feliz Ano Novo, a todos Vidráguas!

Carmen Silvia Presotto

poema de ano novo

poema de ano novo

VAI, ANO VELHO, VEM ANO ANO

VAI, ANO VELHO

1

Vai, ano velho, vai de vez
vai com tuas dívidas
e dúvidas, vai, dobra a ex-
quina da sorte, e no trinta e um
à meia-noite, esgota o copo
e a culpa do que nem me lembro
e me cravou entre janeiro e dezembro.

Vai, leva tudo: destroços,
ossos, fotos de presidentes,
beijos de atrizes, enchentes,
secas, suspiros, jornais.
Vade retrum , prá trás,
leva pra escuridão
quem me assaltou o carro,,
a casa e o coração.

Não quero te ver mais,
só daqui a anos, nos anais,
nas fotos do nunca-mais.


2

Vem Ano Novo, vem veloz
vem em quadrigas, aladas, antigas
ou jatos de luz, moderna, vem,
paira, desce, habita em nós,
vem com cavalhadas, folias, reisados,
fitas multicores, rebecas,
vem com uva e mel e desperta
em nosso corpo a alegria,
escancara a alma, a poesia,
e, por um instante, estanca
o verso real, perverso
e sacia em nós a fome
-de utopia.

Vem na areia da ampulheta como a
semente que contivesse outra se-
mente que contivesse ou-
tra semente ou pérola
na casca da ostra
como se

se

outra se-

mente pudesse

nascer do corpo e mente

ou do umbigo da gente como o ovo

o Sol da gema no Ano Novo que rompesse

a placenta da noite em viva flor luminescente.

3

Adeus, tristeza: a vida
é uma caixa chinesa
de onde brota a manhã.

Agora
é recomeçar.
A utopia é urgente.

Entre flores de urânio
é permitido sonhar.

Affonso de Romano Sant’Anna

http://www.affonsoromano.com.br/