Archive for janeiro 9th, 2010

em Bloomsburry, neva e poemamos

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Faltaram as luvas roxas
ao fiel momento…

No entanto, sabemos:
que estátuas não falam,
apenas embalam os dedos a caminhar com a mente…

Em Bloomsburry neva,
e com Virginia Woolf, revivemos:
que olhar, caminhar, fotografar, escrever, é se imaginar por dentro…

e juntos poemamos, ora bolas!

Poema: Carmen Silvia Presotto
Foto: Ricardo Hegenbart

pensando a poesia com Ronald Augusto

“…A poesia é, por definição, linguagem em crise…”
qualébaudelaire - Cópia

Cada poema é um lance no jogo de conquista – ou de negaceio – do impreciso. A rigor a poesia não esclarece coisa nenhuma, nem se presta à transmissão de mensagens sem rasuras. A mensagem poética tende a ser mais ambígua. Seu fazer, que é afasia (distúrbio de linguagem e de comunicação), parece pretender ficar rente àquelas zonas mais obscuras e insondáveis da experiência. Seu movimento sígnico em realidade busca não dissimular, mas sim problematizar um aspecto crítico da linguagem, ao qual não se dá a devida atenção, a saber: a crença infundada de que apenas uma linguagem articulada (a prosa, por exemplo) e seu corolário – uma objetividade desinteressada e quase transparente -, é capaz de iluminar e decodificar o íntimo dos seres e das coisas. Mais do que “signo tradutor por excelência”, a palavra como legenda se depara o tempo todo com as suas margens e sua arbitrariedade.

O poeta exercita formas vertiginosas do signo linguístico. Seu exercício e os instrumentos de expressão de que se utiliza, ao fim e ao cabo, serão considerados a partir de um objeto estético construído seja sob que motivação social, individual ou metafísica, enfim, desde os contornos de uma objetividade definida ou, ainda, desde uma subjetividade tornada precisa: o poema mesmo, ser de linguagem que apresenta uma coesão fundo-forma.

capa-assoalho

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