Archive for janeiro 29th, 2010

pensando a Poesia com Fernando Pessoa

“… o poeta é um fingidor
finge tão completamente
que chega a fingir que é dor
a dor que deveras sente
…”

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“…A palavra contém dois elementos – esse elemento presentação e o elemento ritmo. Na literatura em prosa, o ritmo é uma consequência e um elemento subordinado. Na poesia inverte-se essa situação, e o ritmo passa a ser o elemento predominante. Assim, num sentido, que é o de que aqui nos servimos, a poesia se opõe à literatura. A poesia parte da emoção, a prosa da inteligência. Por isso não é permitido ser confuso em prosa, a não ser que essa prosa seja poesia. Em poesia a clareza não é necessária, desde que o ritmo o seja.


O ritmo e o sentido – um poema é uma obra literária em que o sentido se determina através do ritmo. O ritmo pode determinar o sentido inteira ou parcialmente. Quando a determinação é inteira, é o ritmo que talha o sentido, quando é parcial, é no ritmo que o sentido se precisa ou precipita. Na tradução de um poema, portanto, o primeiro elemento a fixar é o ritmo.

Três tipos de poetas – poetas de profundeza (pensamento), em que a base inspiracional é uma idéia, uma compreensão, interpretação das cousas; – poetas de construção, em que a base inspiracional é o assunto, isto é, uma cousa vista como um todo composto de detalhes; – poetas de intensidade, em que a base inspiracional é consoante o grau de sensação que uma cousa desperta.

Poetas pensadores – são de três espécies: – aqueles em que o poeta e o personagem estão absolutamente fundidos (Anthero); – aqueles em que o pensamento e a expressão poética d’ ele se acham inteiramente separados, de modo que o pensamento é conscientemente posto em verso, ainda que sendo a natureza artística intensa, em magnífico verso (Goethe em parte); Hugo às vezes; os poetas do século 18; – aqueles em que o pensamento é pensado poeticamente, mas não realizado com perfeito (e artístico) afastamento; nem com fusão modeladora em perfeita arte, do pensamento (Bocage, Wordsworth, Pascoaes).

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Rastros de Pessoas em Fernando

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almas honestas.

Que raios as partam!

Sangue
em revólver
desassossegos
desnaturados.


louco um eu.

Lá são interessantes
cá, desapareço.

De lá para cá
a vida sem tragédia é divina comédia.

Lá e cá
loucos e eu
rimos rios de rimas
espumamos.

Num mar de insanas certezas,
ardemos.

Poema: Carmen Silvia Presotto, Encaixes, Vidráguas.
Fotografia: Robert Parkeharrison