teias

Tão reais
quanto as sombras da Lua
vivem as quatro faces da Vida.
Carmen Silvia Presotto

Tão reais
quanto as sombras da Lua
vivem as quatro faces da Vida.
Carmen Silvia Presotto
“…O poeta entende a poesia segundo seus próprios poemas…”

É provável que ele (Poe) acreditasse sinceramente que um poema podia ser escrito de fora para dentro; mas, embora vigiasse como poucos o processo de sua criação, escreveu os seus como todos os poetas, aceitando o que vinha pela ponte do indefinido e pondo em ordem estética, em criação rítmica de beleza, a outra ordem mais profunda e incompreensível.
Assim como o poeta não deve se propor a verdade como fim, nada tem tampouco que ver com a moral, com o dever. Sua finalidade não é moral alguma extraível do seu tema, e um poema não deve ser uma alegoria, a menos que esta aponte para fins meramente exaltadores. Mas não basta que um poema esteja livre de didatismo e de “mensagem”; é preciso, ainda, que não seja um produto da paixão. A paixão exalta os corações, mas não as almas, o humano do homem e não sua partícula imortal. O poeta não pode prescindir de suas paixões, mas as incorporará ao poema como estímulos imaginativos e, não, como paixões em si.
O poema visa, por via da beleza, a mostrar ao homem o paraíso perdido, a entreabrir as portas que a vida terrena mantém fechadas. A poesia, conforme a definirá finalmente, é a criação rítmica da beleza: a definição é funcional, pragmática, artística. É uma definição mais para uso do poeta do que para a iluminação de leitores de poética. Mas em seu tom deliberadamente técnico busca salvaguardar a liberdade da poesia, sua condição de produto puramente imaginativo; a idealidade – tal como a entendiam Poe e os frenólogos do seu tempo, ou seja, a faculdade puramente criadora do homem – é a única fada presente neste batismo da princesa Poesia.
Nem veículo doutrinário, nem artifício alegórico, nem arrebatamento apaixonado, o poema é um produto livre e desinteressado da imaginação do poeta. Poe o repete com bonito entusiasmo: “ A verdade é que, se nos atrevêssemos a olhar no fundo de nosso espírito, descobriríamos imediatamente que sob o sol não há nem pode haver uma obra mais digna nem de mais alta nobreza que esse poema, esse poema per se, esse poema que é um poema a nada mais, esse poema escrito somente pelo poema em si”.

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