inóspito

O deserto não está em mim.
Estou repleta, povoada.
O deserto são os outros,
sua sede que nunca sacia,
seu calor que não arrefece.
Minha sangria inestancável
só não sabe se desitrata, se alivia,
ou se jorra imprestável
aos que perecem em busca de oásis.
Fernanda Ribeiro Marra
Leia outros poemas da autora em seu blog: http://www.mareseressacas.blogspot.com
fevereiro 17th, 2010 at 11:06
poema exato, perfeito. muito bom, fernanda! viva você aqui!
fevereiro 17th, 2010 at 13:33
Transpondo o comentário que fiz no blog da Fernanda Marra:
Metáforas com a natureza são sempre interessantes. Estava aqui, agora, no meu exercício de visitar os blogs que sigo. Li a postagem da Gê, comentei e do comentário surgiu uma postagem minha. Depois vim aqui e li seu “Inóspito”, em nada inóspito, aliás. Eu tinha acabado de escrever um poema (será que é isso o que eu escrevo? poema?) fazendo metáforas sobre o céu, o azul e o nublado, o das tempestades. Parece que baixou um santo das metáforas naturais. Bem vindo, este santo.
Parabéns pelos seus escritos, Fernanda.