paixão

Apaixonei-me pela luz e a persegui
em beira mares, tive com a areia
atritos indesejáveis: a luz
e os pés molhados; perdi
a batalha, meu refúgio é o escuro
vão da escada, onde guardo
tralhas desconsideradas: rabisco
a poeira com palavras versejadas:
poderia anotar os dias.
(Pedro Du Bois, inédito)
leiam mais poemas no blog do autor:
http://pedrodubois.blogspot.com
* tela: A Lua de tarsila do Amaral
fevereiro 19th, 2010 at 13:17
Belo poema, Pedro.
Como também disse no poema seguinte ao seu, da Carmen, é um poema que gera imagens nítidas, é uma espécie de ode ao recolhimento, ao pensar, ao refletir, à “agressão” (bem entre áspas) que o simples contato com a luz, a água e a areia nos fazem.
Li a pouco tempo no blog de uma amiga aqui de Goiânia (Bichodesetecabeças) um poema que falava do quão “agressivo” lhe parecia o céu azul, enquanto ela queria, como você descreveu no seu poema, o refúgio, o recolhimento do escuro, do vão da escada, fazendo rabiscos na poeira. Bela imagem, Pedro.
Grande abraço,
Ivan Bueno
blog: Empirismo Vernacular
http://www.eng-ivanbueno.blogspot.com