eu quero a doçura do verbo viver…

“Estive doente
doente dos olhos, doente da boca, dos nervos até.
Dos olhos que viram mulheres formosas
da boca que disse poemas em brasa
dos nervos manchados de fumo e café.
Estive doente
estou em repouso, não posso escrever.
Eu quero um punhado de estrelas maduras
eu quero a doçura do verbo viver.”
(Transcrito por Caco Barcelos na reportagem “Crime e Loucura”, publicada na extinta Folha da Manhã, Porto Alegre, RS.
Caio Fernando Abreu transformou em epígrafe de seus contos em O Ovo Apunhalado, Ed. Globo – 1976, pág. 46)
fevereiro 26th, 2010 at 12:40
Que belo poema, que belo final este de “eu quero a doçura do verbo viver”. É um triste-alegre, mas que, a meu ver, faz predominar o alegre, apesar do tom de semi-despedida, por relembrar só coisas boas, e não as mazelas e amarguras. Muito lindo.
Abraços aos vidraguanos todos.
Ivan Bueno
blog: Empirismo Vernacular
http://www.eng-ivanbueno.blogspot.com