a invenção do dia, um poema, um livro
A invenção do dia
Desconheço aquela paisagem
Que cobria os meus olhos, os meus pés, os meus dedos,
Sirenes dos dias
Desconheço o brejo e suas fábricas
As crianças que brincavam comigo,
que atravessavam a história do beijo
Não desejei perseguir as ruas por onde construí estes
descaminhos
Onde ficou nosso hóspede no momento em que o porão
se desfazia
Emparedado à sombra da renúncia?
Assim foi a casa, a cozinha, o quintal
E a fração do almoço,
Como a proclamar o diário da boca
E assim a obrigação de dobrar lençóis…
O Sol – maior que os quartos – e a terra nos vestia de
intervalos.
Entre os inventários, a ruína
o rito das traças, melodia devorada
fora da sala o incompleto palácio
e a oração da tarde
a percorrer a igênua cidade
o anúncio da hora prévia
e exata da verdade.
Valberto Cardoso,p.p. 66,67, A Invenção do Dia, Editora UFPB
Psiu! Valberto, querido Poeta! obrigada pela Invenção dos dias encaminhado à Vidráguas, que agora tenho o prazer de compartilhar com quem nos le.
Um abraço e sucessoSempre!





