um poema de Luís Serguilha traduzido à Língua de Baudelaire

No fragmento inexprimível da defensora germinação
o sopro invertido da tremeluzente palavra
pulula inteiramente
até às torneiras desgrenhadas do luminoso corpo
como os diagnósticos dos bailadores solares a
retalharem as precipitações das cerejas
que transcorrem unicamente
nos ingredientes dos construtores das furnas

Os domínios penetrantes dos pássaros conservam as potências dos becos
plenamente enfeixados na exaltação das cartilagens
e os perfis das estalactites são forjados no bel-prazer das
despovoadas árvores
cartografadas pelos encanamentos espavoridos dos hospitais aéreos
onde os bastidores duma bossa gigantesca anunciam
obsessivamente o êxito das profundidades
numa dália empapada
incessantemente de ar

Um fio de madeira estua nas solicitações do átrio calafetado dos casarões
onde as impalpáveis adivinhações gatafunham no
algodão dos oráculos
como as ondulações das gazelas a recuperarem as dobradiças
das trovoadas
para intervalarem a discórdia do moliço na rugosidade primaveril do
sol

És tu serás sempre tu na arquitetura invisível do expansivo esmeril
a contrair ciclicamente a paciência da claridade onde
a vibração decomposta das arestas convence as canalizações dos frutos
a masturbarem-se no casamento arroxeado da árvore
e os abonos duma greta beberricam gulosamente
sobre as concessões mais esticadas da descoberta alienígena
para prevenir a ignorância da solenidade
na viração contínua das bocas

Poema:Luís Serguilha in: Embarcações / 2004
Tradução:Leonardo de Magalhaens



Dans le fragment inexprimable de la germination défensive
le souffle inversé de la parole tremblante
pulule entièrement

jusque aux robinets ébouriffés du corps lumineux

comme les diagnostics des danseurs solaires à

hacher les précipitations des cerises

passant uniquement

dans les ingrédients des constructeurs des cavernes

Les dominations pénétrants des oiseaux conservent les puissances des ruelles

pleinement fourré dans l’exaltation des cartilages

et les profils des stalactites sont forgés dans le plaisir des

arbres dépeuplés

faite cartographie par les ensorcellements effrayés des hôpitaux aériens

où les coulisses d’une nouvelle gigantesque annoncent

obsessivement le succès des profondeurs

dans une dahlia trempé

incessamment de l’air

Un fil en bois a bouilli dans les sollicitations de l’entrée calfatée des maisons

où les divinations impalpables griffonnent dans

coton des oracles

comme les ondulations des gazelles pour récupérer les charnières

des orages

pour faire interstices la discorde de la paille dans le rudesse au printemps du

soleil

Tu es tu seras toujours dans l’architecture invisible de l’émeri expansif

pour contracter cycliquement la patience de la clarté où

la vibration décomposée des arêtes convainc les canalisations des fruits

en se masturbant dans le mariage violacé de l’arbre

et les primes d’une fissure boivent gourmendement

sur les concessions les plus étendues de la découverte étrangère

pour prévenir l’ignorance de la solennité

dans la brise continue des bouches

* Arte de Vicent Van Gogh

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