pensando a Poesia de Lindolf Bell com Dennis Radünz

Legado
Deixarei por herança
não o poema
mas o corpo no poema
aberto aos quatro ventos
Pois todo poema
é verde e maduro,
em areia movediça
de angústia, solidão
Onde me debato
ainda que finja o contrário
em busca da verdade
e seu chão
Deixarei por herança
não o poema
Mas o corpo repartido
na viagem inconclusa
Pois todo o poema maduro
é um verde poema
E, mesmo acabado,
se estriba na inconclusão
Claro, sem esquecer,
o estratagema da paixão
Lindolf Bell, poeta e crítico de arte nascido no município catarinense de Timbó, foi um dos fundadores do movimento da Catequese Poética. Nos dez anos da sua morte, o poeta Dennis Radünz escreve este sensível texto que resgata um pouco da história e da literatura do poeta das Annamárias.
Lindolf Bell
por Dennis Radünz
“Procuro a palavra palavra./Esta que me antecede/e se antecede na aurora/e na origem do homem”, diz o primeiro poema do livro “O Código das Águas” (1984), volume que reúne algumas das melhores criações do poeta catarinense Lindolf Bell (1938-1998). Essa investigação da palavra original – dessa palavra que antecederia a existência humana, porque a funda e recria – acompanhou o filho de lavradores nascido em Timbó, no vale do rio Itajaí-açu, desde que, ainda criança, ouvia o pai tocar melodias ancestrais no bandoneon e via a mãe recitar longos trechos da Bíblia em alemão. Essa vivência da oralização do texto bíblico marcaria, no futuro, o talento invulgar do poeta Bell para comunicar a poesia para além do papel impresso, alcançando a multidão. Essa a origem de sua ‘catequese’ poética.
Leia todo o artigo
Read more »







